Guia Gessulli
30-Nov-2018 13:57
Biocopmbustível

Veículos testam potencial do biogás brasileiro

Ônibus, caminhões, máquinas agrícolas e carros rodam em testes com biometano obtido de resíduos de cana e esgoto

Veículos testam potencial do biogás brasileiro

Ônibus, caminhões, máquinas agrícolas e carros rodam em testes com biometano obtido de resíduos de cana e esgoto

A exploração comercial de um novo tipo de biocombustível brasileiro começa a dar seus primeiros passos promissores no País. O biogás, extraído de resíduos orgânicos como lixo, esgoto e biomassa da agroindústria, já está sendo refinado em biometano para abastecer veículos em testes nas ruas e estradas brasileiras. A produção ainda é pequena, mas o potencial é enorme. Segundo estimativas da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (Abiogás), o Brasil tem matéria-prima para produzir 82 bilhões de metros cúbicos de gás biológico por ano, o maior potencial do mundo, o equivalente para substituir 70% do consumo nacional de diesel.

De acordo com a Abiogás, o setor deve experimentar rápido crescimento nos próximos anos. A meta é oferecer 10,7 milhões de metros cúbicos por dia de biometano no mercado brasileiro até 2025, chegando a 32 milhões de m3/dia até 2030. É combustível suficiente para abastecer 1,6 milhão de veículos leves ou substituir quase 20% do consumo de óleo diesel por caminhões, ônibus e tratores.

O uso do combustível gasoso renovável e sustentável apresenta ganhos ambientais e econômicos substanciais. Com preço similar ao do gás natural fóssil (metano), o biometano é mais 50% barato do que a gasolina e em relação ao diesel a economia pode chegar a R$ 1 por litro para grandes frotistas. Além disso, a produção nacional evita gastos com importações.

A vantagem para o meio ambiente é que o biogás apresenta queima mais limpa e eficiente, que na comparação com diesel reduz em 90% as emissões de material particulado e outros poluentes, e 95% do CO2 gerado é quase todo reabsorvido na origem – assim como acontece com o gás carbônico emitido no consumo veicular de etanol, que volta para as plantações de sua matéria-prima, a cana-de-açúcar.

Matéria-prima que já deu ao Brasil o título de maior mercado de biocombustível do mundo com o etanol, que pode ser usado em quase 90% dos veículos leves vendidos no País e responde por quase 20% da matriz energética veicular, a cana-de-açúcar também terá papel principal na expansão do bio-GNV (gás natural veicular biológico). A Abiogás calcula que os resíduos de cana (vinhaça, torta de filtro e palha) que sobram após o processamento nas usinas têm o maior potencial de geração: 41 bilhões de m³ de biogás por ano. Em seguida vem o restante da agroindústria com 38 bilhões de m3/ano e saneamento com 4 bilhões de m3/ano.

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