AveSui
AveSui Biocombustível Bioenergia Biomassa América Latina Comentário B&B Economia Empresas Exportação Eventos e Cursos Geral Insumos Meio Ambiente Pesquisa e Desenvolvimento Sustentabilidade Tecnologia Revista Todos os Vídeos TV Gessulli no YouTube Edições Revista Digital Anuncie
CBios

Usinas e fornecedores de cana duelam por crédito de carbono

Ainda não há consenso sobre divisão das receitas dos CBios

 

Redação com informações Valor
12-Abr-2021 08:39

Usinas produtoras de etanol de cana e fornecedores independentes da matéria-prima estão travando uma queda de braço pela divisão das receitas dos créditos de carbono do programa federal RenovaBio, os Créditos de Descarbonização (CBios). Embora o programa, que obriga distribuidoras a comprarem os CBios dos produtores de biocombustíveis, esteja em operação há um ano, a legislação deixou as regras de divisão dessa receita a cargo dos agentes privados, que não entraram em consenso.

No Centro-Sul, os produtores independentes fornecem um terço da cana processada nas indústrias, ou cerca de 200 milhões de toneladas de uma colheita de 600 milhões na última safra (2020/21). No ano passado, as vendas de CBios movimentaram R$ 650 milhões. Cada CBio equivale a 1 tonelada de carbono de emissão evitada com a substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis.

No colegiado que arbitra as relações privadas da cadeia, o Consecana, não houve acordo sobre os CBios nas negociações, que começaram em 2019. Assim, desde o início do ano as usinas passaram a propor acordos bilaterais diretamente a produtores e associações regionais, muitos deles idênticos ao já apresentado - e rechaçado - pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) no Consecana para concluir os pagamentos do ciclo 2020/21, que acabou em 31 de março. A estratégia irritou os agricultores, e alguns ameaçam até sair do RenovaBio.

A Unica havia proposto que o rateio das receitas dos CBios seguisse a mesma proporção de pagamento pela cana, por considerá-los mais um produto vendido pela usina a partir da matéria-prima fornecida, como açúcar e etanol. Por essa lógica, os produtores que tiveram seus dados particulares usados para o cálculo do potencial de emissão de CBios pelas usinas receberiam 60% dos créditos relacionados ao etanol produzido de suas matérias-primas. No caso das usinas que usaram uma base de dados “padrão” para os produtores para realizar a certificação no RenovaBio, o repasse seria de 50%.

Porém, a Organização de Associações dos Produtores de Cana do Brasil (Orplana) reivindica que 100% dos CBios gerados a partir do etanol feito da cana que forneceram seja pago aos agricultores. A entidade entende que, se as usinas deixarem de processar a cana do fornecedor, a produção de etanol elegível do programa também diminui, o que reduz em igual proporção a capacidade das usinas de emitir CBios.

Pelo RenovaBio, os CBios são emitidos após a comprovação de venda dos lotes de etanol, com base em dois elementos: o volume vendido e a nota de eficiência, que corresponde a quanto o biocombustível evita de emissões ante o fóssil equivalente.

A Orplana apresenta ainda em sua argumentação um estudo da consultoria Pecege que indica que a capacidade de uma usina gerar CBios de seu etanol é até 34% maior se ela utiliza os dados específicos de cada produtor na certificação (para uma indústria que mói 30% de cana de fornecedor).

O Pecege avalia, contudo, que há não há uma fórmula única para calcular a contribuição dos fornecedores para a geração de CBios. Haroldo Torres, diretor da consultoria, observa que a produção agrícola representa entre 80% e 90% das emissões do ciclo de vida do etanol de cana (do plantio ao consumo final), e que resulta na nota de eficiência do combustível. Ao mesmo tempo, ele ressalta que a cana captura carbono durante seu cultivo, mas lembra que o programa não contempla esse aspecto.

Para Denis Arroyo, diretor da Orplana, o fato das usinas usarem informações dos produtores e agora não negociarem a remuneração “machuca a relação”. “Todos os produtores são favoráveis ao RenovaBio, mas alguns já questionam se vale a pena participar”, afirma.

Procurada, a Unica informou ao Valor, em nota, que as negociações agora são individuais, mas defendeu o “trabalho conjunto na busca de consenso”. A entidade, porém, rechaçou a proposta de apropriação integral dos CBios pelos produtores e argumentou que “a redução de emissões promovida pelos biocombustíveis não decorre do cultivo da matéria-prima”, e sim quando esta “é convertida em biocombustível” e substitui o concorrente fóssil.

Assuntos do Momento

Fontes solar e eólica terão mais espaço na geração de energia do Brasil
25 de Janeiro de 2022
Fonte Renovável

Fontes solar e eólica terão mais espaço na geração de energia do Brasil

As informações constam na minuta do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2031, que foi colocada em consulta pública nesta segunda-feira (24/01).

Sicredi faz emissão de Green Bond subordinado de USD 100 mi para financiar projetos de energia renovável
26 de Janeiro de 2022
Green Bond

Sicredi faz emissão de Green Bond subordinado de USD 100 mi para financiar projetos de energia renovável

A emissão feita junto ao BID Invest, membro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), foi no valor de USD 100 milhões

Mudanças no processo de geração de energia causam "inflação verde", que pode se estender por anos
26 de Janeiro de 2022
Transição

Mudanças no processo de geração de energia causam "inflação verde", que pode se estender por anos

Carla Argenta explicou que estamos em meio à transição energética e que processo não é simples

Assinantes de energia solar adotam dispositivo de inteligência artificial para evitar desperdício e reduzir consumo
24 de Janeiro de 2022
Tecnologia

Assinantes de energia solar adotam dispositivo de inteligência artificial para evitar desperdício e reduzir consumo

Tecnologia já é utilizada em várias residências e empresas do Interior de SP e ajuda a reduzir em cerca de 15% consumo de eletricidade

Ministro do MCTI conhece projeto de fábrica brasileira de placas solares
27 de Janeiro de 2022
Investimento

Ministro do MCTI conhece projeto de fábrica brasileira de placas solares

Em audiência, representantes de empresa apresentaram projeto de produção de módulos fotovoltaicos no país, que pode contar com apoio do PADIS

UEMS/Mundo Novo tem projeto de R$ 674 mil aprovado no edital MS Carbono Neutro
24 de Janeiro de 2022
Biometano

UEMS/Mundo Novo tem projeto de R$ 674 mil aprovado no edital MS Carbono Neutro

O projeto, que será coordenado pelo professor Dr. Leandro Fleck, obteve nota final de 9,70 e garantiu a maior pontuação dentre todas as propostas aprovadas, além disso teve o segundo maior recurso financeiro obtido

Mais assuntos do momento
Utilizamos cookies para que você tenha a melhor experiência de navegação, para medir o tráfego, e para fins de marketing. Para mais informações, por favor visite nossa política de privacidade. Política de Privacidade