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Um admirável mundo novo? - por Coriolano Xavier

Coriolano Xavier

Membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

19-Mar-2014 08:29 - Atualizado em 20/04/2016 14:53

Quando olho para o futuro e procuro visualizar o perfil do agronegócio como fornecedor de alimentos e energia, diante as radicais mudanças que estão sendo desenhados para os próximos 10 ou 15 anos, sinto-me às vezes como se estivesse viajando por uma bela estrada, mas sem mapa e rumo a um mundo ainda nebuloso.

Em São Paulo, no horário de pico de tráfego, 78% da área das vias públicas ficam ocupadas por automóveis que transportam 28% das pessoas em trânsito.  Enquanto isso, os ônibus ocupam 8% do asfalto e transportam 68% das pessoas em trânsito. Os números são de uma pesquisa da CET ¹  e mostram que o sonho da fluidez do trânsito nas megalópolis está distante – seja em nosso país ou pelo mundo afora, do México a Singapura.

A saída é reduzir o número de veículos e, também, eliminar sua emissão de poluentes. Para o primeiro objetivo, as ações miram em transporte coletivo, replanejamento urbano ou experimentos como o compartilhamento de carros (car sharing), aliás com resultados interessantes nos Estados Unidos.

Quanto à segunda meta, o alvo preferido parece ser a substituição do motor a combustão – com a aposentadoria da geração atual de combustíveis, de origem fóssil ou talvez até renovável. Por conta disso correm experimentos com veículos movidos à eletricidade, ar comprimido, energia solar, tório e célula de combustível, entre outros.  Rodar sem poluir é princípio estratégico na busca de carros mais sustentáveis.

Na dimensão dos sensores, já vemos a biologia sintética unindo partes de DNA de diversas origens para criar novas formas de organismos multitarefas ², como ferramentas biológicas para melhorar a segurança e qualidade dos alimentos – por exemplo, em novos métodos para detecção de antibiótico no leite.

Enquanto isso, em setembro último, em Frankfurt, foi apresentada ao público a pequena impressora 3D BotBQ Extruder, para uso doméstico, desenvolvida para produzir (“imprimir”) alimentos como um trivial hambúrguer, conforme mostrado em sua divulgação ³. Aliás, a tecnologia 3D na cozinha também foi assunto na BBC News (novembro 2013), através de um protótipo criado pela Natural Machines, que faz diferentes tipos de massa e chocolate.

E ainda podemos lembrar da cidade de Nova York com sua crescente e próspera rede de chácaras urbanas, de produção vegetal e animal. Isso em uma cidade densamente povoada e com espaço imobiliário dos mais valiosos do planeta. Já no interior dos EUA avança o movimento local farming, postulando a produção regional dos alimentos consumidos pelas pessoas.

Por enquanto são sementes, mas todas com algum potencial para impactar o perfil do agronegócio, no futuro. Confesso que não enxergo ainda com clareza a ponte que teremos de construir até esse mundo novo, se de fato ele acontecer. Certo, mesmo, apenas o sentimento de que o agronegócio não seria, nem de perto, aquele que conhecemos hoje.

(1) Pesquisa realizada pela Companhia de Engenharia de Tráfego. Dados publicados em “Super Interessante”, edição 327, dezembro 2013.

(2) Assessoria de Comunicação do Instituto de Física de São Carlos/USP, sobre pesquisas biomoleculares na Boston University, EUA. 

(3) Em “3D Printing Industry”, 30 de dezembro de 2013.

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Matéria-prima foi classificada pelo bloco como fator que resulta em desmatamento excessivo e não pode mais ser considerada um combustível renovável para transporte.

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