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Biocombustíveis

Sob incertezas, preços dos CBios 'derretem'

Ainda que não oficializado, possível adiamento do prazo para as metas já derruba os papéis

Valor
20-Jul-2022 15:24 - Atualizado em 20/07/2022 15:37

A decisão do Comitê RenovaBio, formado por membros de ministérios e órgãos públicos, de recomendar o adiamento por um ano da comprovação das metas de descarbonização de 2022 das distribuidoras já tem reflexos no curto prazo. Desde sexta-feira, quando o comitê aprovou a recomendação, os preços dos Créditos de Descarbonização (CBios), que equivalem a 1 tonelada de carbono de emissão evitada, estão em queda livre.

Ontem, agentes do mercado relataram negociações com o CBio a R$ 130 no início do dia, e a R$ 85 no fim do dia, valor que não era registrado havia quatro meses. Na quinta-feira, um dia antes da reunião do comitê, o papel chegou ao máximo de R$ 199,50, segundo dados da B3. Em três dias de negociações, os preços já caíram mais de 50%.

Essa redução pode levar a quedas adicionais dos combustíveis fósseis na bomba - justamente um dos objetivos do governo. Nas contas da consultoria StoneX, o valor atual do CBio representa R$ 0,04 o litro do preço da gasolina nos postos. Quando o CBio estava em R$ 200, o impacto era de R$ 0,11 o litro, segundo a consultoria Datagro.

Apesar das projeções, esse efeito ainda é incerto. O impacto depende do momento de compra dos CBios e da mudança da fatia que as distribuidores têm do mercado de mercado combustíveis fósseis, disse Annelise Izumi, analista do Itaú BBA. Além disso, distribuidoras menores têm mais dificuldade de repassar esse custo que as maiores.

Por outro lado, a desvalorização do ativo reduz o estímulo para os produtores investirem em aumento de capacidade de produção de renováveis. Mesmo a R$ 200, o CBio ainda não era suficiente para isso, segundo Plinio Nastari, presidente da Datagro. “O investimento ficou mais caro com a alta dos itens industriais”, diz.

Para Izumi, do Itaú BBA, a queda recente dos CBios pode desestimular a oferta desses títulos pelas usinas e até provocar uma pequena migração para o açúcar da cana cujo produto ainda não foi precificado.

Os impactos da recente queda ainda são virtuais, já que o volume de transações despencou nos últimos dias. “O mercado está paradíssimo, não tem comprador”, disse um trader, que preferiu não ser identificado. Segundo ele, desde que o preço chegou a R$ 209, no dia 29 de junho, “os compradores sumiram”.

A votação do comitê ainda não tem efeito e só valerá quando o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deliberar sobre o tema. A aprovação, porém, é tida como certa, já que o conselho é presidido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), autor da proposta no comitê, e composto por outros membros do governo.

Embora a medida não seja efetiva, já há um efeito psicológico, diz Nastari. “Mercados saudáveis dependem de previsibilidade. Mudanças de regra trazem insegurança”.

Nastari defende que o governo agilize as negociações de contratos a termo de CBios, que permitiriam às distribuidoras acertar compras futuras dos títulos. “Teríamos uma visão mais estruturada de qual é a percepção do mercado sobre o valor à frente dos CBios”, defendeu.

A estruturação de um mercado de compromissos futuros de CBios é a aposta também de bancos. Em recente entrevista ao Valor, Boris Gancev, responsável pela tesouraria do Santander, ressaltou que, nas negociações a termo, as usinas teriam que se submeter a aprovação de crédito, já que existe risco de não haver geração do CBios no futuro.

 

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