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Seminário destaca o crescimento do biogás e a necessidade da valorização de seus atributos

Sétima edição do Seminário Técnico da ABiogás reuniu especialistas que debateram os benefícios ambientais do energético para o setor elétrico e formas de precificá-los

Redação
14-Jun-2021 09:46

As vantagens do biogás para o sistema elétrico, principalmente neste momento de crise hídrica em que a diversificação das fontes se faz cada vez mais necessária, estiveram no centro dos debates da sétima edição do Seminário Técnico da ABiogás, realizado nesta quinta-feira, dia 10.

O evento, que contou com dois painéis, teve ainda a participação especial do deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania), vice-presidente da Frente Parlamentar de Energia Renovável (FER), que chamou atenção para a sustentabilidade e a previsibilidade do biogás. “O desafio de continuar suprindo a oferta de energia, de rever o peso dos encargos e conseguir diversificar as fontes rima com a condição de previsibilidade do biogás. Este é um setor que se construiu sem subsídio e com grande inovação tecnológica. A regulação também avançou, criando um ambiente mais favorável para que o biogás cresça na combinação de energias renováveis que o Brasil precisa”, comentou.

Abrindo o primeiro painel, Paulo Cunha, consultor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), falou sobre o potencial do biogás e suas vantagens para o setor elétrico. “O biogás apresenta as qualidades da geração distribuída, tem características próprias como a de não estar sujeito à volatilidade, e, importantíssimo, permite o armazenamento do seu energético primário, podendo, assim, ter sua produção programada”, ressaltou. 

Thiago Ivanoski, superintendente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), lembrou que o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) de 2030 prevê um crescimento do PIB de 3%, o que demandará um maior consumo de energia. “A partir de 2026, está prevista a necessidade de contratação tanto de energia, quanto de potência e, para isso, contamos com a expansão de fontes em que o biogás se insere, como a biomassa e o gás natural”, comentou.

Diretor de Planejamento do Operador Nacional do Sistema (ONS), Alexandre Zucarato afirmou que, com a baixa dos reservatórios, a grande vocação da matriz hídrica vem sendo complementada com outras fontes. “Hoje, 75% do atendimento se dá por meio de fontes inflexíveis, que podem ser intermitentes ou constantes. Portanto, o atributo do biogás de ser uma fonte confiável e estar próxima do centro de carga é uma enorme vantagem. O que precisamos é ter a conta do modelo econômico fechada”, avaliou.

Especializada na área de energia, a advogada Maria João Rolim trouxe uma visão jurídica capaz de fazer o biogás deslanchar na matriz energética. Ela chamou a atenção para o fato de que os atributos não estão restritos somente ao sistema elétrico, mas também são benéficos para outros setores, como a agropecuária, o saneamento e os transportes.

“O desafio é como articular o olhar do Ministério de Minas e Energia, que está à frente do debate, com as demais políticas de outros setores. Só assim vamos conseguir valorizar adequadamente os atributos do biogás para toda a sociedade. O que precisamos é de uma articulação institucional, na qual os agentes políticos tenham um olhar mais horizontal para a valorização destes atributos”, avaliou. 

RenovaBio e Títulos Verdes

No segundo painel do dia, o RenovaBio foi citado como vitrine do que pode ser feito também no setor elétrico com o objetivo de precificar os atributos das fontes energéticas.

Luciano Rodrigues, assessor econômico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), falou sobre a relação entre preço e valor, lembrando que, para o consumidor, a questão dos benefícios ambientais usualmente não é incorporada à decisão de compra. “Hoje, estamos falando de garantir a oferta de combustíveis com preços baixos e redução de emissões. A dificuldade está em como precificar, mas no Brasil temos o RenovaBio, uma estrutura inédita e bastante avançada”, comentou.

Para Luciano, a expectativa é de que algo parecido seja feito no setor elétrico. “Deve-se reconhecer o potencial de todas as fontes, a fim de prevalecer aquelas que serão mais benéficas no quesito de preço e de redução das emissões. Lá na frente, vamos ter uma interação cada vez maior entre setor de energia e de transportes”, completou.

Diretor do departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Pietro Mendes explicou que o RenovaBio trata de todo o processo produtivo, incluindo cada usina individualmente. “É uma análise do ciclo de vida do poço à roda. A questão da terra, por exemplo, também é considerada. Desde 2018, o RenovaBio traz os critérios de elegibilidade da biomassa, entre eles o desmatamento zero. No caso do biogás não tem esta questão, já que é um combustível oriundo de resíduos, mas na produção de biocombustíveis pode haver supressão vegetal, o que passa a ser proibido na contabilidade do RenovaBio”, contou.

Pietro falou ainda sobre o projeto do Combustível do Futuro, que prevê a criação de Corredores Verdes para o biometano. “Esta é uma alternativa muito importante na descarbonização dos veículos pesados. O grande potencial está na substituição ao diesel, principalmente no setor agropecuário, que, hoje, corresponde a 14% do consumo de óleo diesel”, comentou. 

Isabela Coutinho, analista ASG da SITAWI Finanças do Bem, falou sobre os títulos verdes e sua sinergia com o setor de biogás. Segundo ela, em 2020, mesmo durante a pandemia, houve um crescimento de 30% na emissão de títulos, com mais de 90 operações que somaram cerca de US$ 17 milhões.

“A concentração está na emissão de títulos para projetos de reflorestamento e energia renovável – solar, eólica e etanol de cana. Ainda não teve para o biogás, o que mostra um enorme potencial que segue inexplorado”, comentou.

Fechando o Seminário, o professor Gonçalo Pereira, da Unicamp, chamou atenção para o enorme potencial do biogás no Brasil, defendendo uma mudança de cultura para que o energético seja mais bem aproveitado. “Estamos jogando fora uma Itaipu inteira com o potencial que não é aproveitado no campo e nas cidades com a geração de biogás”, comentou.

O próximo evento da associação será o Fórum do Biogás. Previsto para novembro, o fórum chega à sua oitava edição com a missão de disseminar informações sobre o energético e ampliar sua participação na matriz energética brasileira.

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Matéria-prima foi classificada pelo bloco como fator que resulta em desmatamento excessivo e não pode mais ser considerada um combustível renovável para transporte.

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