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18-Ago-2011 09:29 - Atualizado em 20/04/2016 14:41
Reciclagem Animal

Resíduos da pesca aproveitados

A criação de tilápias em cativeiro é uma atividade muito explorada no Açude Castanhão, construído sobre o leito do rio Jaguaribe, situado no Ceará. Após a pesca, os piscicultores costumavam descartar as vísceras da tilápia no entorno do açude, poluindo o local.O empreendedor André de Freitas realizava pesquisas sobre o aproveitamento desse material na região e notou uma oportunidade de negócio inovadora: utilizar os resíduos da pesca para a produção de óleo de tilápia.

Em 2009, André abriu a empresa Piscis Soluções Ambientais no município de Jaguaribara (CE) e desenvolveu um sistema de coleta de resíduos para a fabricação de óleo. Quiosques coletam as vísceras da tilápia, que são transportadas até a empresa por motos com reboque e caminhão. O material é submetido a um processo biotecnológico para a extração do óleo, que pode ser utilizado na fabricação de biodiesel, sabão e na alimentação animal.

A técnica de extração do óleo é inovadora e pode ser aplicada aos resíduos da pesca de peixes de outras espécies como do tambaqui, pacu, entre outros.

Antes dessa iniciativa, as vísceras de tilápia eram lançadas no entorno do açude, queimadas ou enterradas, poluindo a região. O despejo podia provocar a proliferação de urubus e porcos nestes locais, comprometendo a saúde da população ribeirinha.

Parcerias - A parceria entre o Sebrae e a Piscis foi fundamental para a conscientização dos piscicultores sobre a destinação correta dos resíduos do pescado. De acordo com André de Freitas, as ações educacionais proporcionadas pelo Sebrae favoreceram o aumento do volume de vísceras coletadas, resultando em maior produção e impactos positivos ao meio ambiente, com a retirada dos resíduos do entorno do Açude Castanhão. Em média, são coletados quatro mil quilos de vísceras por mês.

Atualmente, a empresa produz o óleo da tilápia para o mercado local de produção de rações balanceadas e investe no desenvolvimento tecnológico e de gestão. O projeto da Piscis foi selecionado para receber recursos do Fundo de Inovação Tecnológica (FIT), que são aplicados no aproveitamento integral dos resíduos da pesca para a produção de concentrado energético e composto orgânico.

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