06-Ago-2018 09:43 - Atualizado em 06/08/2018 17:32
Comentário B&B

Por que geração de energia distribuída é fundamental?

Os custos da geração destas energias reduziu tanto, que hoje é possível efetuar implantações residenciais e industriais com retornos sobre o capital investido bastante atrativos

Geradores eólicos e painéis fotovoltaicos deixaram de ser equipamentos para geração em áreas isoladas já um bom tempo.  Os custos da geração destas energias reduziu tanto, que hoje é possível efetuar implantações residenciais e industriais com retornos sobre o capital investido bastante atrativos.

O Brasil, possui uma matriz energética bastante limpa, e condições geográficas que permitem o desenvolvimento ainda mais profundo nestas condições.  Um cálculo aproximado indica que o nosso país teria capacidade para produzir aproximadamente 280 GWh de energia proveniente do sol, ou mais ou menos 50% de nossa atual demanda.

Comparado com a geração hidroelétrica, a energia solar ainda apresenta custos mais elevados, porém uma matriz energética híbrida e descentralizada é fundamental para viabilização tecnológica dos próximos anos.

Primeiramente, temos que entender que os custos da energia fotovoltaica e eólica tendem a cair com a escala de produção e implantação de tecnologias disruptivas.  Um exemplo disso é a tecnologia de painéis fotovoltaicos orgânicos – OPV, com características de peso e flexibilidade imbatíveis.  Temos no Brasil inclusive, uma empresa que é líder na fabricação destes painéis.  A escala de produção trará esta tecnologia para custos menores que as atualmente utilizadas.

Em nosso país temos um nível de tributação elevado e na matriz energética isso não é diferente.  Quando falamos em geração localizada, cada vez que aumentamos a geração pontual, reduzimos a quantidade de energia consumida pelos geradores convencionais e para uma estrutura de distribuição existente, os custos para os que estão na rede convencional aumentam, pois sobra para eles a conta da estrutura.

A própria ANEEL está efetuando consultas públicas para direcionar o tema, visto a tendência de aumento na geração pontual.  Atualmente, menos de 1% da energia total do Brasil é proveniente de fotovoltaicas.

Entretanto antes de observarmos somente sob o aspecto econômico, é importante olharmos sistemicamente e atentarmos para tendências muito importantes que ocorrerão nas próximas décadas.

O primeiro ponto e já avaliado é que os custos da geração localizada, com painéis ou eólica irão ter os custos reduzidos, segundo o relatório Bloomberg NEO 2018, em 71% e 58% respectivamente até 2050.  Ou seja, será muito facilitada a implantação, mesmo com redistribuição dos custos da infraestrutura existente.

Em junho de 2018 o planeta atingiu a marca de geração de 1,0 TWh de geração eólica e solar.  Parece pouco para um período de 20 anos que estas tecnologias entraram realmente em regime comercial.  Entretanto, atingiremos o dobro, 2,0 TWh em 2020, uma evolução exponencial.

Temos uma mudança, ainda que no Brasil em baixa velocidade, para o uso de veículos elétricos. Com a redução do custo da energia produzida, e a otimização dos sistemas de armazenagem (baterias e hidrogênio), será natural a migração para veículos elétricos e híbridos.

O que precisamos entender é que a energia continuará sendo consumida.  Deixaremos de ir nos postos de combustível para estacionar na frente de uma tomada, como fazemos hoje com os smartphones. Migração de matriz significa criar estrutura física para a mudança.  Não será com o acionar de um interruptor que iremos transformar a energia do petróleo em energia elétrica para abastecer veículos elétricos.

Ano passado o Brasil consumiu, segundo a ANP algo em torno de 44 bilhões de litros de gasolina.  Se hipoteticamente transformássemos apenas 10% da frota brasileira que usa gasolina em elétrica, teríamos que aumentar em 4.093 MWh na geração elétrica de nosso país, o que seria equivalente a meia usina de Tucuruí.

Este aumento não pode ser compensado com a operação de usinas térmicas, pois não existe lógica energética converter um combustível em energia elétrica, sofrer perdas e depois converter em energia mecânica novamente.  Além disso o senso de veículo elétrico limpo perde o sentido, pois apenas está transferindo a emissão do escapamento do automóvel para a chaminé de uma usina.

O movimento mundial de migração para veículos elétricos acrescerá 3,46 TWh de energia elétrica até 2050, o que equivalerá a aproximadamente 9% do total de energia daquele ano.

A geração elétrica distribuída, associada ao uso de combustíveis renováveis como o etanol, o biogás de resíduos serão os grande mobilizadores da transformação de nossa matriz energética nacional.

Tecnologias de smart grid e inteligência artificial farão com que pequenos geradores sejam “ouvidos” e permitirão a regulação de todo o grid de consumo do país.

É necessário portanto, uma profundidade maior na análise dos impactos das decisões governamentais no longo prazo, observando a complexidade das relações e da ruptura tecnológica que está acontecendo.

 

Redação

Alexandre Mater

Sócio fundador da consultoria Stride Inteligência Ambiental, é especialista em Sistemas de Gestão, Eficiência Energética, Sistemas de Controle Ambiental, conversão energética de resíduos.

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