06-Set-2017 15:25
Desenvolvimento

Pela primeira vez, PDE contempla o biogás no plano de expansão de energia elétrica

Ciclo de planejamento do governo federal para oferta de eletricidade do Brasil prevê uma participação de até 300 megawatt (MW) de biogás para geração distribuída

O Plano Decenal de Expansão 2026 (PDE), que indica como deverá se comportar a expansão da matriz energética no Brasil nos próximos dez anos contemplou pela primeira vez na história um valor significativo de biogás como componente da matriz elétrica. O Plano indica que o energético, que hoje conta com apenas 127 megawatts (MW) segundo os dados mais recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), poderá ter cerca de 300 MW somente em Geração Distribuída, se destacando como uma das grandes fontes ao lado do fotovoltaica.

De acordo com o documento, com base nos dados da Usina Bonfim, vencedora do leilão de energia A-5 de 2016, foi possível estimar o potencial técnico de exportação de energia elétrica a partir do biogás obtido de vinhaça e torta de filtro alcançando cerca de 3 GW médios em 2026. Dessa forma, espera-se que a contribuição desta fonte para o cenário energético nacional se torne cada vez mais relevante.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás), Alessandro Gardemann, o PDE contou com ampla colaboração da (ABiogás) na formulação de políticas públicas para esse segmento de energia no período em que esteve em Consulta Pública.

 “O PDE é mais uma prova de que o biogás é um dos caminhos para uma economia de baixo carbono e para a segurança energética. Isso começa a ficar cada vez mais claro para os planejadores do setor elétrico”, avalia Gardemann.

O executivo lembra ainda que o biogás no PDE 2026 se justifica pela clareza competitiva do energético, como capacidade de armazenamento, alta velocidade de resposta ao acionamento para despacho, flexibilidade operacional, estrutura de custos previsível e elevado potencial de mitigação de impactos ambientais.

No Brasil, o biogás representa um potencial de geração de 115 mil GWh/ano, ou 14 GW médios, de energia elétrica ou 28,5 bilhões de m3/ano de biometano, um biocombustível limpo e renovável, distribuído nas cinco regiões brasileiras.

“O PDE está mais realista e ciente da potencialidade do biogás como fonte de geração de energia e chamou a atenção para geração distribuída e para expansão em fontes renováveis”, disse Gardemann.

Por outro lado, o documento não cita o potencial do biometano. Segundo dados da ABiogás, o potencial brasileiro de produção é de 78milhões de m3/dia, mais de duas vezes o volume de gás importado da Bolívia. Se aproveitado integralmente esse biometano poderia substituir 44% do diesel consumido. Sem contar que com o programa RenovaBio,  o mais importante projeto do Ministério de Minas e Energia (MME) para mitigação das emissões de gases do efeito estufa, o biometano se torna ainda mais competitivo.

O ciclo de planejamento do governo federal prevê investimentos de R$ 361 bilhões na expansão da oferta de eletricidade do país até 2026, sendo R$ 242 bilhões na área de geração e R$ 119 bilhões em transmissão.

Ascom
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