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Investimento

Paraguai quer construir maior refinaria de biocombustíveis da América do Sul

Usina Omega Green deve custar US$ 1 bilhão e entrar em operação em 2025. Organizações ambientais estão apreensivas com possíveis impactos

Redação
07-Jul-2022 08:17

anúncio da construção de uma refinaria de biocombustíveis no Paraguai, que será a maior da América do Sul, vem causando polêmica. Enquanto a empresa responsável pelo empreendimento e o governo destacam os benefícios econômicos do projeto e afirmam que a matéria-prima utilizada como fonte de energia, a soja, não possui vínculos com o desmatamento, organizações ambientais questionam a iniciativa.

A usina Omega Green visa produzir diesel renovável (também conhecido como óleo vegetal hidrotratado, ou HVO) e combustível renovável para a aviação, bem como processar subprodutos, incluindo propano, butano, nafta e gases ácidos. Ela deve entrar em operação em 2025 perto da cidade de Villeta, 45 quilômetros ao sul de Assunção, capital do Paraguai.

Os biocombustíveis são considerados renováveis porque são produzidos a partir de matérias-primas de origem agrícola ou resíduos orgânicos. No caso da Omega Green, a energia é proveniente de gordura animal, óleo de cozinha usado e soja.

Diversas companhias aéreas já começaram a desenvolver e testar biocombustíveis e misturas de combustíveis padrão, em uma tentativa de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. Isso deverá levar a um aumento massivo da demanda por óleo de palma e soja, e a indústria da aviação será potencialmente a maior impulsionadora de sete milhões de hectares de desmatamento no mundo até 2030.

O projeto no Paraguai foi desenvolvido pela empresa brasileira BSBios, parte do Grupo ECB, uma holding com investimentos focados no agronegócio e em energias renováveis. A empresa foi fundada em 2011 pelo empresário Erasmo Carlos Battistella, conhecido como o "rei do biodiesel".

Embora o empreendimento no Paraguai tenha sido anunciado em 2019, a construção foi paralisada pela pandemia da Covid-19. A construção deve ser retomada em dezembro de 2022 com investimentos de US$ 1 bilhão. Um porta-voz da empresa disse ao Diálogo Chino que o país sul-americano foi escolhido devido à sua segurança jurídica, estabilidade financeira e baixos custos de energia.

A usina ficará localizada em um complexo industrial de 484 hectares, em um terreno adquirido pela empresa do ex-presidente Luis Ángel González Macchi (1999-2003), segundo Teodosio Gómez, prefeito de Villeta.

A industrialização na área de Villeta já havia provocado a desapropriação de terras e a descaracterização da comunidade, de acordo com um estudo realizado por organizações ambientais. O documento analisa o projeto da biorrefinaria e os impactos que ela pode ter sobre os moradores de Santa Rosa, lar de 50 pessoas, e a comunidade mais próxima do local onde será construída a biorefinaria em Villeta.

Muitas famílias se mudaram nos últimos anos por causa do isolamento causado pelas indústrias próximas, que limitaram sua liberdade de movimento ao comprar terrenos na área. Moradores locais, que preferiram não ser identificados, disseram ao Diálogo Chino que não eram necessariamente contra a construção de outro projeto industrial como a Omega Green, desde que não causasse danos ambientais à área.

O prefeito de Villeta reconheceu que muitas famílias em Santa Rosa optaram por vender suas terras e deixarem a área diante da expansão industrial e do cerceamento causado pela instalação das indústrias. Ainda assim, ele é a favor do projeto em razão de seus benefícios econômicos. De acordo com o Grupo ECB, a usina Omega Green contribuirá com mais de US$ 8 bilhões para o PIB do Paraguai ao longo de dez anos.

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