Guia Gessulli
16-Mar-2015 11:12 - Atualizado em 20/04/2016 14:54
Comentário

Para enfrentar tempos difíceis - Por Coriolano Xavier

O ano começa a avançar e há um certo sentimento de “confiança ressabiada” nos corações e mentes do campo. No mercado interno, o ano não é de grandes promessas pelo lado da demanda, afinal a maioria das projeções sobre a economia (PIB e renda disponível do consumidor) apontam para a estagnação ou ligeiro comportamento depressivo.
No front externo, vemos a economia de países importantes no comércio mundial se recuperar, em outros se complicar um pouco (como a Rússia), mas a sobrevalorização cambial do real pode materializar tudo isso, mesmo as diferenças, em um agregado positivo para a renda do produtor que está integrado ao mercado internacional.
Enfim, há ventos a favor, ventos contra, incerteza no horizonte e uma certeza: o cenário está volátil. E como se lida com a volatilidade dos mercados – principalmente quando existe a possibilidade concreta de se estender no tempo -- para se sobreviver economicamente e conseguir bons resultados?
A resposta a esta pergunta pode ter três dimensões e tecnologia é a primeira delas. Tecnologia é a alavanca da competitividade e para ter sucesso no agronegócio contemporâneo é preciso ser competitivo, de preferência muito competitivo. Portanto, tecnologia é central.
A segunda dimensão é a gestão adequada. Hoje em dia, a qualidade de gestão é fundamental para a eficiência operacional, o controle dos custos de produção, a produtividade, a formação de recursos humanos, o bom aproveitamento dos mercados e o resultado econômico final dos negócios. Tecnologia e gestão, portanto, são duas coisas que devem andar juntas.
A terceira dimensão é a articulação política dos produtores – não importa se segmentados por setores, mercados e regiões, ou aglutinados em cooperativas, associações e sindicatos rurais. Isso com o objetivo de se debater políticas estratégicas setoriais, ou mesmo políticas públicas segmentadas ou para o agronegócio de uma forma mais ampla.
Atualmente, a produção animal e a produção vegetal precisam desse olhar mais estratégico, pois a interferência nos mercados é muito grande – por governos, conglomerados ou pressão social. Ou seja, agora precisamos olhar o campo não apenas na produção, tecnologia e gestão, mas também na perspectiva da articulação política e posicionamento estratégico do produtor.
Ainda falta aí o tempero da sustentabilidade, entendida na sua plenitude e envolvendo o fator humano, social, econômico e ambiental. Aqui pensar pequeno é risco de não se chegar lá. E o horizonte precisa estar definido em todos os quatro fatores.
A produção sustentável é integrada e não adianta pensar nela às migalhas. Pode-se até construí-la gradualmente, por uma questão de recursos ou operacionalidade. Mas desde o início, quando começamos a navegar, é preciso saber em qual porto queremos chegar.

Publicação Exclusiva AI/SI/BB

Coriolano Xavier

Membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

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