Guia Gessulli
24-Mai-2019 11:45
Combustível

Ministro lança Frente Parlamentar do Biodiesel e anuncia avanços para a mistura B11

A implantação da mistura B11 será feita após estudos de curta duração sobre aditivação do biodiesel no Instituto Nacional de Tecnologia (INT)

Em pouco tempo os brasileiros terão mais um motivo para comemorar: o crescimento do biocombustível na matriz energética com a previsão de conclusão, nos próximos dois meses, dos testes para adição do chamado B11 - adição de 11% de biodiesel ao óleo diesel. Este novo percentual proporcionará ao país uma economia de quase R$ 1,3 bilhão ao ano com a redução na importação de 600 milhões de litros de óleo diesel. Os números foram apresentados pelo Ministro Bento Albuquerque durante lançamento da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel, na quarta-feira (22), em Brasília.

A implantação da mistura B11 será feita após estudos de curta duração sobre aditivação do biodiesel no Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Os resultados desses estudos serão analisados e atestados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição independente, garantindo a melhor governança e qualidade na integração dos biocombustíveis na matriz energética e de transporte no Brasil. Isso deve ser concluído nos próximos dois meses.

Em seu discurso na solenidade, o ministro disse que “a solução para o B11 foi um trabalho de articulação e diálogo do Ministério de Minas e Energia (MME) com as entidades e associações representativas da indústria automobilística, do setor de biodiesel e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).  A entrada em vigor da mistura B11 deve induzir investimentos em ampliação da capacidade de produção de biodiesel e processamento de soja de mais de 700 milhões de reais”.

A partir da conclusão dos testes a ANP revisará a especificação do biodiesel, para aumentar o requisito de “estabilidade à oxidação” do biodiesel, de 8 para 12 horas, com o objetivo de atingir no mínimo 20 horas de estabilidade na mistura com o diesel e, assim, aumentar a vida útil do combustível em todas as etapas de comercialização”, explicou Bento Albuquerque. “Juntos, concordamos que essa solução regulatória para a estabilidade à oxidação é o passo necessário para garantir a validação da mistura B11 na forma como exige a lei. Foco na proteção do consumidor”, frisou o ministro.

O ministro lembrou que o Brasil é, hoje, o segundo maior produtor mundial de biodiesel, enalteceu a solidez e consolidação da indústria brasileira do biodiesel e a contribuição do produto para reduzir as principais emissões poluentes e para mitigar os gases causadores do aquecimento global. Para o ministro, o aumento da produção e do uso do biodiesel é também importante para a segurança energética. “A dependência externa com a importação de óleo diesel de petróleo alcançou 21% no ano passado. Foram 11,4 bilhões de litros importados, com transferência de renda na nossa sociedade para o exterior. Esse volume de importação superou em mais de duas vezes a nossa produção de biodiesel”, lembrou Bento Albuquerque.

Ao recordar da atual adição de 10% biodiesel ao óleo diesel, destacou que o Brasil é o segundo maior produtor mundial e que o país produziu 5,3% bilhões de litros no ano passado. Foi um crescimento de 25% em um ano apenas.

O Ministro ressaltou que o setor também está alinhado quanto à necessidade da conclusão de estudos mais extensos para avaliar o aprimoramento de mais parâmetros da especificação do biodiesel, em condução pelo Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas (CPT) da ANP para a evolução da mistura do B15 acontecer a partir de 1º de março de 2023. “Os resultados desses estudos, em conjunto com o reforço de boas práticas de manuseio e armazenamento de combustíveis, são essenciais para a segurança do consumidor”.

Segundo Bento Albuquerque, “a capacidade de produção precisará aumentar em praticamente 50% em 5 anos. São cerca de R$ 8 bilhões de investimentos em novas usinas de biodiesel e expansão do processamento de óleos vegetais no Brasil. E de sobra vai aumentar a produção brasileira de proteína vegetal e animal, com mais oferta de alimentos para a nossa população”, disse, entusiasmado, o ministro Bento Albuquerque.

Sobre a Frente Parlamentar Mista do Biodiesel, o ministro afirmou: “a Frente Parlamentar Mista do Biodiesel é o ponto de encontro no nosso Poder Legislativo para ouvir as demandas da sociedade por energia renovável no setor de transporte coletivo de passageiros e de cargas. É o ponto de encontro para as demandas da agroindústria brasileira, em especial da soja e de carnes, que têm ligação umbilical com a indústria de biodiesel”, enalteceu Bento Albuquerque. “Assim – ressaltou – essa Frente vem para somar de forma fundamental para o desenvolvimento do biodiesel no Brasil”.

Redação
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