Guia Gessulli
AveSui Biocombustível Bioenergia Biomassa América Latina Comentário B&B Economia Empresas Exportação Eventos e Cursos Geral Insumos Meio Ambiente Pesquisa e Desenvolvimento Sustentabilidade Tecnologia Revista Todos os Vídeos TV Gessulli no YouTube Edições Revista Digital Anuncie
GNL

Maior usina térmica a gás da América Latina não opera desde 2020

Com 1,5 GW de potência, UTE Porto de Sergipe I é capaz de atender 15% da demanda de energia do Nordeste

Redação com informações de Valor
23-Jun-2021 09:11 - Atualizado em 23/06/2021 09:22

Maior usina térmica a gás da América Latina, a UTE Porto de Sergipe I, não gera energia ao sistema elétrico nacional desde o ano passado, mesmo em meio ao estresse hídrico e à necessidade crescente de acionamento de térmicas.

Movido a gás natural liquefeito (GNL) importado, o empreendimento entrou em operação comercial em março do ano passado e foi oficialmente inaugurado no mês de agosto, em cerimônia com a presença do presidente Jair Bolsonaro e do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

A inatividade nos últimos meses chamou atenção, principalmente por causa do porte da usina. Com uma potência de 1,5 gigawatt (GW), a UTE Porto de Sergipe é capaz de atender 15% da demanda de energia do Nordeste, ou 16 milhões de pessoas. Sua capacidade instalada poderia elevar em quase 10% o despacho térmico atual, que tem atingido cerca de 17 GW.

Desde que foi oficialmente inaugurada, a usina operou em setembro e dezembro do ano passado, de acordo com dados disponíveis no site do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Neste ano, ainda não chegou a ser despachada. A previsão é de que ela volte a integrar o sistema em julho.

A Centrais Elétricas de Sergipe (Celse), responsável pela usina, admitiu que o empreendimento teve que realizar manutenções em suas turbinas nesse meio tempo. Inclusive, dois equipamentos estão passando por manutenção nesta semana, de 20 a 26 de junho. Mas, segundo a Celse, esses procedimentos não teriam impedido o despacho. “A usina não foi acionada por decisão do ONS, que não fez o pedido”, informa em nota.

Procurado, o ONS informou que a usina “estará integrada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 3 de julho”, mas não deu mais detalhes.

Segundo especialistas, uma hipótese é de que o modelo do ONS pode não ter identificado a necessidade de acionamento dessa usina para atender a demanda de energia da região, ainda que a usina tenha custo variável Unitário (CVU) relativamente baixo (cerca de R$ 300 por MWh) e o país venha convocando mais térmicas para gerar diante da escassez hídrica.

Isso teria ocorrido porque o Brasil tem cada vez mais geração de energia inflexível hídrica e térmica (não controlável), aliada a fontes com custo operativo praticamente zero, como a eólica e a solar, que também “passam na frente” de outras tecnologias de geração. Com essa combinação, há cada vez menos espaço para despachos, seja de térmicas ou de hidrelétricas.

No ano passado, 75% da carga global de energia foi atendida com geração inflexível total, aponta o Plano de Operação Energética 2020 do ONS. Apenas 25% da demanda representou, para o sistema, necessidade de despacho hidrotérmico por ordem de mérito.

“Com a geração hídrica, as renováveis e a importação de energia do Norte, é possível que o modelo não tenha visto necessidade de acionamento [da UTE Porto Sergipe] para atender a carga do Nordeste”, explica Donato da Silva Filho, presidente da consultoria Volt Robotics.

Pela programação do ONS, a UTE Porto Sergipe voltará a operar em julho. Essa térmica funciona no modelo de despacho antecipado: por operar com combustível importado, precisa ser avisada com 60 dias de antecedência de quando precisará entrar em atividade. O ONS emitiu em maio o aviso para a térmica, de forma que o despacho começa no início de julho.

Localizada em Barra dos Coqueiros (SE), a UTE Porto Sergipe converte GNL importado em energia elétrica. O empreendimento conta com três turbinas a gás e uma turbina a vapor em ciclo combinado, e também com instalações marítimas. A usina foi viabilizada pelo leilão de energia nova “A-5” realizado em 2015, no qual a Celse garantiu contratos de 25 anos com o mercado regulado. A Celse foi constituída em 2015 pela EBRASIL (Eletricidade do Brasil) e pela Hygo (ex-Golar Power). No início deste ano, a Hygo foi adquirida pela americana New Fortress Energy, em meio a uma série de aquisições no setor de gás que somaram pelo menos US$ 5 bilhões.

Assuntos do Momento

Maior produtor do país na área, RN vai estocar energia eólica
24 de Setembro de 2021
Bioenergia

Maior produtor do país na área, RN vai estocar energia eólica

Empresa EV Brasil assinou protocolo com governo do estado para instalar primeiro projeto do tipo no país, nesta terça-feira (21). Investimento inicial é de R$ 12,5 milhões.

Na ONU, Bolsonaro destaca compromisso com transição energética e matriz brasileira
24 de Setembro de 2021
Compromisso

Na ONU, Bolsonaro destaca compromisso com transição energética e matriz brasileira

Presidente citou compromisso com dois pactos, um para reduzir emissões de carbono e outro para financiar o setor de hidrogênio, e disse que país é destaque na implementação de soluções energéticas sustentáveis

Alta do gás pode abalar transição verde na UE
23 de Setembro de 2021
Meio Ambiente

Alta do gás pode abalar transição verde na UE

Há o temor de que a crise energética tenha impacto sobre a crença no investimento em fontes mais limpas

Água da louça para regar plantação: ciência dá alternativas para agricultura sobreviver com seca e crise hídrica
24 de Setembro de 2021
Alternativa

Água da louça para regar plantação: ciência dá alternativas para agricultura sobreviver com seca e crise hídrica

Bioágua é feita a partir da filtragem das chamadas águas cinzas. Combinação entre diferentes fontes é a solução para pesquisadores, que também apostam no uso da água subterrânea.

BRF conquista certificado de Zero Waste para fábrica de perus na Turquia
24 de Setembro de 2021
Certificado

BRF conquista certificado de Zero Waste para fábrica de perus na Turquia

Documento atesta conformidade da Companhia ao Regulamento turco de Resíduos Zero

Alemanha deve acabar com uso de óleo de palma em biocombustíveis a partir de 2023
24 de Setembro de 2021
Biocombustível

Alemanha deve acabar com uso de óleo de palma em biocombustíveis a partir de 2023

Matéria-prima foi classificada pelo bloco como fator que resulta em desmatamento excessivo e não pode mais ser considerada um combustível renovável para transporte.

Mais assuntos do momento
Utilizamos cookies para que você tenha a melhor experiência de navegação, para medir o tráfego, e para fins de marketing. Para mais informações, por favor visite nossa política de privacidade. Política de Privacidade