Guia Gessulli
13-Jan-2015 08:47 - Atualizado em 20/04/2016 14:54
Artigo

Kátia Abreu: Virou ministra e agora? - por Arnaldo de Souza

Poderosa, ambiciosa e política habilidosa levou a senadora licenciada pelo PMBD (TO), Kátia Regina de Abreu ou somente Kátia Abreu ao cargo máximo de representação da agropecuária no Brasil, o de Ministra de Estado.

Abreu, hoje com 52 anos, assumiu sua fazenda com a morte do marido em 1987 (Irajá Silvestre). Não sabia nada sobre administração de uma fazenda, mas encontrou no cofre uma espécie de passo-a-passo de como administrar, onde e como investir e seguiu-o rigorosamente.

Foi presidente do sindicado de Gurupi, antigo norte de Goiás e hoje Tocantins, e depois, por sua atuação enérgica, foi eleita presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins, cargo que exerceu por quatro mandatos consecutivos entre 1995 e 2005. Em novembro de 2008 foi eleita presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), para o triênio 2008 a 2011.

Paralelamente à carreira na agricultura, teve uma carreira política crescente. De 1998 a 2011 atuou como deputada federal pelo seu Estado, se elegendo a Senadora.

Como ministra terá alguns desafios importantes. Primeiro terá de controlar a língua afiada. Logo no discurso de posse disse que "no Brasil não há mais latifúndio", frase que foi contra-atacada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) e pelo "fogo amigo", ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias.

O setor sucroalcooleiro está sucateado pela inversão de prioridades do Etanol para o Pré-Sal do petróleo. Cerca de 100 (cem) usinas operam no vermelho, sendo que muitas destas já fecharam. Há um clima de demissões, de falta de perspectiva porque é altamente dependente de uma política de Governo que defina regras claras de atuação para haver investimentos internos e externos no segmento. O Brasil precisa tornar o setor atraente do ponto de vista de investimentos.

Dinheiro disponível há. Seguidamente, a cada safra recorde, o Governo tem feito uma política de liberação de recursos. Está claro que os maiores recursos são para os setores sociais, agricultura familiar, mas há recursos para todos os níveis. Até a JBS, um dos maiores grupos do agronegócio brasileiro, foi tomadora.

Política externa que ajudasse a exportar mais. O preço das commodities internacionais têm caído o que tem prejudicado as margens dos nossos exportadores. Tudo bem que o dólar em alta atenua um pouco, mas nossa carga tributária alta que diminui nossa competitividade e a falta de uma política externa justa e mais agressiva para a agricultura ajudaria muito.

Temos 10 adidos agrícolas em países estratégicos que foram absorvidos pela burocracia e não conseguem desenvolver nossa política agrícola com racionalidade. Precisamos de 100 novos adidos agrícolas com poderes de decisão espalhados para cada país comprador de nossas commodities.

O Brasil exporta, pra você ter uma ideia, para mais de 150 países desde carnes (bovina, suína e de aves), soja, café e outros produtos.

Não podemos viver apenas de viagens da presidente levando missões diplomáticas aqui e acolá. Precisamos agir firmemente com ações de longo prazo que beneficie nossos produtos como um todo do açúcar ao café do frango, suíno aos cortes bovinos, etc.

Acredito que se a Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil investir focada apenas nesses itens citados, a agropecuária brasileira vai gerar mais emprego e renda para os agricultores e pecuaristas brasileiros.

Claro que não poderá deixar de atender necessidades pontuais e específicas no dia-a-dia do cargo que lhe serão inúmeras, além de prestigiar Brasil afora as principais feiras agropecuárias.

Arnaldo de Sousa é jornalista especializado em agricultura há 21 anos e hoje é palestrante e seu tema é Liderança em Alta Performance no Agronegócio. www.arnaldodesousa.com.br

Arnaldo de Sousa

Arnaldo de Sousa é jornalista com especialização em economia pela Fipe/USP e palestrante para o mercado de agronegócios. Foi aluno do maior palestrante do Brasil, Roberto Shinyashiki. Contato: [email protected]

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