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Incentivo

Governo vai lançar plano para incentivar fontes alternativas de energia no campo

Uso do biogás e energia solar serão estimulados para reduzir passivo ambiental e custos dos produtores

Folha de Londrina
18-Jan-2021 09:15

O governo do Estado vai lançar, nos próximos dias, o programa Paraná Energia Rural Renovável, com o objetivo de incentivar a geração de energia elétrica no campo a partir de fontes alternativas, como o biogás e a energia solar.

O diretor técnico da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado, Rubens Niederheitmann, explica que o foco do programa é reduzir o custo de produção entre os agricultores e transformar o Paraná em um produtor de energia alternativa.

A princípio, duas fontes serão estimuladas – o biogás (a produção de energia poderá ser a partir de esterco, bagaço de cana ou resíduos suínos, por exemplo) e a energia solar. “A proposta do programa é reduzir o passivo ambiental e os custos para os produtores, que inclusive poderão colocar a energia excedente na rede da Copel”, explicou.

O diretor acrescentou que o programa dará incentivos aos produtores que adotarem as fontes alternativas de energia, mas os detalhes só serão divulgados no momento em que o programa for oficialmente lançado.

Programa

Em vigor desde 2007 no Paraná, o programa Tarifa Rural Noturna, que concede desconto de 60% sobre a tarifa e o adicional de bandeira tarifária referente ao consumo de até 6 mil kWh/mês, já tem data para terminar – dezembro de 2022.

A ideia é que os 11 mil produtores rurais paranaenses beneficiados pelo Tarifa Rural Noturna hoje migrem para o programa Paraná Energia Rural Renovável, prestes a ser lançado. Neste ano, o Tarifa Rural Noturna pretende oferecer R$ 40 milhões em subsídios – R$ 20 milhões bancados pela Assembleia Legislativa e R$ 20 milhões pelo governo do Estado. No passado, entre janeiro e novembro, os 2,7 mil produtores de Londrina e região beneficiados pelo programa receberam mais de R$ 1 milhão em subsídios.

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“Um grande produtor de aves hoje recebe até R$ 10 mil por mês de subsídio pelo programa Tarifa Rural Noturna. Os grandes produtores acabam sendo mais beneficiados, já que os pequenos usam muito pouco energia elétrica”, explica o diretor técnico da secretaria.

Assim que o produtor rural aderir ao Paraná Energia Rural Renovável, ele poderá permanecer por mais seis meses no Tarifa Rural Noturna. A expectativa dos produtores é grande com relação ao novo programa. No site da Copel, é possível verificar que o reajuste da energia elétrica em cinco anos, entre junho de 2014 e junho de 2019, ficou em 88,18% no Paraná, quase o triplo da inflação oficial registrada no mesmo período no País – 32,26%.

“A energia já está cara e vai subir”, projeta o diretor da secretaria.

Incentivo

Quando assumiu a propriedade da família em Conselheiro Mairinck (PR), em 2012, Renan Rosisca relembra que a criação de frangos já tinha o incentivo da Tarifa Rural Noturna, um desconto essencial para reduzir os custos de produção. “Se essa tarifa cair, o gasto com energia elétrica vai ficar quase 50% maior no mês”, calcula Renan, que paga uma tarifa mensal de R$ 10 mil, em média. Esse gasto representou, no mínimo, 30% do custo total para criar os frangos em 2020.

Ele acrescenta que a avicultura é totalmente dependente da energia elétrica 24 horas. “No verão, todos os aviários têm o sistema de resfriamento. Se falhar, em até 10 minutos morre de calor grande parte da criação, já que os frangos são extremamente sensíveis. Tenho dois geradores de reserva. No inverno, são os aquecedores que ficam ligados 24 horas por dia”, explicou.

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Com a ajuda da esposa na gestão da propriedade, a veterinária Nayane Perassoli Rosisca, Renan destaca que o tratamento da criação deve ter um controle térmico perfeito, já que o ciclo de vida dos frangos é muito curto – 30 dias no máximo até serem comercializados. Hoje, a maior parte da criação é vendida para o mercado árabe.

À frente

Antes mesmo de o programa estadual de incentivo ao uso de fontes renováveis ser lançado oficialmente, o criador Renan Rosisca já se adiantou e está prestes a instalar um sistema de energia solar na granja. 

Segundo ele, a expectativa é que o sistema híbrido seja implantado até o início de fevereiro. “Não é um sistema barato, mas que se paga entre 5 e 7 anos. Estamos um pouco à frente. Creio que será um diferencial de mercado produzir com energia renovável”, conclui.

Biogás

A utilização de fontes alternativas de energia no meio rural já é realidade no Paraná, mas ainda ocorre de maneira muito tímida. Produto da parceria entre a Copel e a CI Biogás, a usina de Entre Rios do Oeste (PR) foi a primeira do Brasil a produzir energia com biogás oriundo do tratamento dos dejetos de suínos. A planta está em operação há um ano e meio, com capacidade de 480 KW, operada e mantida pela prefeitura do município.

Em torno da usina, 18 produtores rurais parceiros transformam 215 toneladas de resíduos por dia em energia limpa, produzindo o biogás que é conduzido por uma rede de dutos até a unidade geradora. A venda do combustível se torna uma fonte de renda para eles. O investimento da Copel, financiadora do projeto, foi de R$ 17 milhões. Segundo a Copel, há também no Paraná casos de autogeração de energia elétrica nas propriedades rurais, seja por meio do bagaço da cana, energia solar ou do tratamento de dejetos.

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Chamada aberta

A Copel mantém aberta, até 16 de fevereiro, uma chamada pública para a contratação de energia proveniente de autogeradores. A previsão é contratar até 50 MW (megawatt) médios de energia nessa modalidade, equivalente a 438 mil MWh/ano ou 1,9% de sua carga anual.

O objetivo da chamada é atrair produtores independentes de pequeno e médio porte, incluindo minigeradores, aproveitando ainda mais o potencial energético do Paraná, com capacidade para operar de maneira conectada. Para vender à Copel, os autogeradores terão de constituir uma microrrede - um sistema elétrico independente, que funciona como uma “ilha de energia”, integrando geração, armazenamento e consumo à rede de distribuição.

A Copel abre a oportunidade para pequenas centrais hidrelétricas, produtores de energia a partir de cavaco de madeira, cana de açúcar ou biogás com os dejetos de suínos, o que representa mais uma fonte de renda e de oportunidade para os produtores paranaenses.

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