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Mercados

Gestão, inovação e ganho de escala compõem a receita de sucesso do agronegócio no Brasil

Sou Agro
06-Ago-2013 08:47 - Atualizado em 20/04/2016 14:44

A competitividade de um setor econômico é capaz de gerar divisas e desenvolvimento para um país e disso o agronegócio brasileiro sabe bem. Responsável por cerca de 23% do PIB no primeiro semestre deste ano, o setor registrou crescimento de 10,7% no faturamento com exportações, enquanto os outros segmentos da economia, juntos, obtiveram queda de 10,3% em seu faturamento no exterior. Com isso, o setor agrícola ampliou a sua participação na balança comercial brasileira e chegou a 43,3% do total.

Melhora da gestão, investimento em inovação e novas tecnologias, pesquisa e desenvolvimento estão entre alguns dos elementos que transformaram o setor no carro-chefe da economia do Brasil. Para falar sobre essas conquistas e também dos desafios, especialistas se reuniram na manhã da última quinta-feira (01) em São Paulo no seminário Produtividade e Competitividade, promovido pelo Insper.

Marcos Jank, ex-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e sócio-diretor da Agro.Consult, afirmou aos participantes que o fim das agências reguladoras, que controlavam preços e mercados até os anos 90, foi tão importante para o desenvolvimento do setor quanto os avanços em pesquisa e inovação. "Dos anos 90 em diante é que o crescimento começou de fato. Um exemplo disso é o setor de agroenergia, com o desenvolvimento de variedades e de novos produtos como o biodiesel e o plástico da cana", explica.

Marcos de Barros Lisboa, do Insper, explicou que a produtividade brasileira, de modo geral, sempre oscilou entre períodos de alta seguidos por quedas bruscas e que, só a partir dos anos 2000, é que começa a haver a melhora do crescimento da economia. Dentro desse crescimento, ele destacou o agronegócio e o setor financeiro como os únicos segmentos que contribuíram para os ganhos da última década. "O agronegócio foi o setor onde a combinação entre gestão, melhora das tecnologias e ganhos de escala possibilitaram um crescimento constante", disse.

No quesito crescimento, Jank aproveitou para lembrar também da "revolução da soja" no Centro-Oeste, que contribuiu para a abertura de novas fronteiras agrícolas durante os anos 1970 e 80, inicialmente para esse grão e, em seguida, para milho, algodão e outros produtos. "A Embrapa também teve um papel importante nessa "revolução", com o desenvolvimento de novas variedades adaptadas à nossa realidade tropical", explicou.

Para ele, a agricultura tropical praticada no Brasil é um dos motivos do aumento da competitividade brasileira nos últimos anos. Como exemplo de tal pujança ele cita tecnologias desenvolvidas especialmente para as regiões mais quentes como o plantio direto na palha, uma prática mais econômica e com menos impacto ambiental, além da integração entre lavoura-pecuária-floresta e o desenvolvimento de uma segunda safra de grãos na mesma temporada.

Ganho de escala - Um dos principais elementos da combinação que resultou no sucesso da produtividade do agronegócio, o ganho de escala, foi, na opinião de Barros Lisboa, em parte conquistado com o apoio da Embrapa. O especialista destacou o papel que a entidade teve e ainda tem no desenvolvimento de pesquisas e de novas variedades de produtos e aproveitou para citar um dado interessante. Entre 1975 e 2011, a produção brasileira cresceu 295%, enquanto o índice de uso de insumos cresceu apenas 9%.

O resultado desse ganho de produtividade registrado nas últimas décadas, segundo Jank, é sentido até pelo consumidor final, já que estudos apontam que o peso da alimentação dentro do orçamento das famílias brasileiras vem diminuindo a cada ano. Mas ele aproveita para salientar que a única maneira de produzir alimento com alta competitividade para o mundo, é com a produção em larga escala. "É o que está viabilizando a produtividade nas novas fronteiras agrícolas, no Maranhão e no Piauí, por exemplo", disse.

"A produção familiar e em pequenas propriedades tem o seu papel, mas ganhos relevantes de produtividade e competitividade do setor estão nas grandes propriedades", afirmou o diretor da Agro.Consult. Ele aproveitou ainda para destacar um breve levantamento feito recentemente por sua consultoria junto ao Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone) e que aponta o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) com média mais elevada do que a nacional em cidades que intensificaram a produção agrícola.

Infraestrutura - Apesar da alta produtividade do agronegócio brasileiro, muito da competitividade do setor vem sendo perdida com os problemas de infraestrutura e os gargalos logísticos, especialmente quando se trata de escoar a safra de grãos para o porto. Por isso, Jank considera a nova lei dos portos, sancionada em junho, fundamental para ajudar o País a solucionar tais problemas, já que "vai permitir que o setor privado faça investimentos".

Ele explica que há a expectativa de especialistas de que alguns investimentos sejam concluídos em cinco anos, como é o caso da BR 163 e do porto de Miritituba, no Pará, além de melhora das condições no porto de Itaqui, no Maranhão. "Mas ainda é muito pouco. É preciso viabilizar a saída dos grãos por Marabá (PA) também, construir a ferrovia Leste-Oeste, melhorar a infraestrutura do Mato Grosso; mas isso deve demorar mais uns dez anos. Isso se os investidores estiverem confiantes em fazer aportes", pondera.

O consultor Raul Velloso afirmou, no evento, que a agricultura brasileira "faz milagre", porque, "mesmo com a infraestrutura defasada, o produtor rural ainda consegue seguir investindo em tecnologias, ampliando a produtividade e a competitividade". Ele aproveitou para apresentar um levantamento feito em 2010 que aponta um ganho estimado de 6% no custo da produção da soja no Brasil se as rodovias que ligam Lucas do Rio Verde (MT) ao porto de Paranaguá (PR) fossem de boa qualidade.

Segundo Jank, os países concorrentes do Brasil na produção de grãos gastam entre 10% e 15% do valor total da soja com o custo logístico, percentual que no Brasil varia entre 30% e 40% e pode chegar a 50% no caso do milho. "Não faz sentido que tudo isso seja perdido para custear a logística interna", diz.

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