Guia Gessulli
25-Out-2019 14:48
Evento

Fórum reúne especialistas para debater as oportunidades do biogás no Novo Mercado de Gás

VI Fórum do Biogás vai reunir representantes de todos os setores da cadeia de produção, aproveitamento e beneficiamento do segmento nos dias 31 de outubro e 1º de novembro em São Paulo.

 

Com o objetivo de promover a inserção definitiva do biogás e do biometano na matriz energética brasileira, o VI Fórum do Biogás vai reunir representantes de todos os setores da cadeia de produção, aproveitamento e beneficiamento do segmento nos dias 31 de outubro e 1º de novembro em São Paulo.

Promovido pela Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), o evento visa incentivar momentos de networking e troca de conhecimento, além de, nesta edição, discutir os desafios e possibilidades do biogás no Novo Mercado de Gás. 

Para a secretária de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MNE), Renata Isfer, por ser uma tecnologia ainda nascente e em expansão, o biogás precisa ser conhecido por um público maior. “O Fórum é uma grande oportunidade para apresentar todo potencial que o recurso renovável possui”, afirmou Renata, que estará na mesa de abertura do evento.

Segundo Renata, grandes passos já foram dados, como a assinatura, em julho passado, do Termo de Compromisso de Cessão (TCC) entre Cade e Petrobras, no qual a estatal compromete-se a adotar diversas medidas que permitirão a outros agentes acessarem o mercado nacional. “O Novo Mercado de Gás visa à formação de um mercado mais aberto, dinâmico e competitivo, eliminando barreiras de entrada e favorecendo a competição no mercado de gás natural, hoje monopolizado pela Petrobras”, afirmou. 

Para o presidente da Abiogás, Alessandro Gardemann, as mudanças vão favorecer o biogás, trazendo oportunidades principalmente no interior do País. “O gás natural é solução onde tem gasoduto, nas áreas restantes, podemos entrar com o biogás. São fontes complementares”, aposta Gardemann.

De acordo com projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o próximo ano, a produção de biogás do setor sucroenergético será de 5,6 milhões de metros cúbicos, e de biometano, 2,8 milhões de metros cúbicos. A potência de geração elétrica com biogás será de 1,7 GWm.

A estimativa está longe do enorme potencial, que, segundo os cálculos da ABiogás gira em torno de 40 bilhões de metros cúbicos por ano para o gás natural renovável, utilizando as três principais fontes: sucroenergética, agricultura e saneamento. 

RenovaBio

O presidente da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), Newton Duarte, que participa de painel no Fórum, chama atenção para o potencial de crescimento do biogás com o início efetivo do RenovaBio, a partir de 2020. “Com o aumento da produção do etanol, uma das melhores destinações para a vinhaça é a sua biometanização. Já há tecnologia disponível no Brasil e experiências iniciais que nos levam a crer que esse mercado deva ter uma expansão na próxima década, a partir de investimentos de usinas sucroenergéticas que acompanham o tema com extremo interesse. Afinal, pode ser mais um modo de rentabilizar um resíduo, gerando biometano que poderá ser usado não só para a cogeração, mas como combustível nos caminhões de transporte de cana-de-açúcar e nas máquinas agrícolas e até mesmo para injeção nas redes das concessionárias de gás canalizado, estimulando uma economia circular. Na Cogen, apostamos muito no biogás e o vemos como o próximo grande passo para o setor sucroenergético”, afirmou. 

Experiências locais

A coordenadora de Saneamento e Biogás na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Relações Internacionais do Governo do Rio de Janeiro, Flávia Porto,  vai falar sobre o cenário do biogás no estado fluminense, que possui três grandes projetos de aproveitamento do biogás de aterro sanitário em operação: duas plantas de purificação para produção de GNR e outra para geração de energia elétrica. No município de São Pedro da Aldeia, está localizada a usina Dois Arcos que é pioneira na produção de biometano em escala comercial no Brasil. No aterro sanitário da cidade de Seropédica, está a usina da Gás Verde, maior planta da América Latina com produção diária de 200.000 m3/dia. Atualmente, o GNR produzido nessas usinas é enviado para postos de GNV e, no caso particular da Gás Verde, parte da produção é vendida para a indústria siderúrgica.

Recentemente, no aterro sanitário de Nova Iguaçu, a Gás Verde instalou uma termelétrica a biogás com capacidade instalada de 16,5 MW, e outro projeto no aterro de São Gonçalo está em fase de instalação. “O Rio de Janeiro tem um grande potencial de produção do biogás, principalmente a partir dos resíduos do saneamento (lixo e esgoto). Logo, por meio da disseminação das boas práticas, atualização regulatória e aumento da demanda, especialmente nas regiões do interior, espera-se capturar mais investimentos, aproveitar as vocações regionais e fortalecer a indústria do biogás, gerando mais empregos, renda e desenvolvimento econômico para população fluminense”, afirmou.

Promoção da concorrência

Fundador e CEO do Grupo Capitale Energia, Daniel Augusto Rossi participa do painel sobre promoção da concorrência, que tem o biogás como fonte complementar do gás natural. Em sua visão, o mercado competitivo do gás pode ser comparado ao mercado livre de energia elétrica, onde criou-se um ambiente maduro para entrada de diversos novos players de produção e comercialização, e colocou o poder de compra na mão de quem deve estar: os consumidores. “O setor crescerá muito em oportunidades de novos projetos pra produção de molécula e o Biometano começará a ocupar um lugar de destaque na matriz energética dos consumidores”, acredita.

Redação
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