Guia Gessulli
19-Jan-2018 15:26 - Atualizado em 19/01/2018 19:07
Entrevista

Fazer com que as pessoas assimilem conceito renovável é um dos desafios para o setor

O diretor da Proxsol, André Fetizon, comenta sobre os desafios do mercado energético e investimentos que envolvem a instalação de sistemas de energia solar

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Divulgação/Proxsol
O mercado energético mundial esta mudando lentamente sua forma de enxergar a geração de energia. Com o aumento da discussão sobre preservação do meio ambiente e sustentabilidade, a procura por uma alternativa a combustíveis fósseis e nucleares esta aumentando exponencialmente. É nesse nicho de mercado que entram as energias renováveis.

No Brasil, este é um mercado novo e para conversar um pouco sobre este clima de mudanças a redação procurou por André Fetizon, diretor da empresa Proxsol, que fala sobre esta renovação nas matrizes energéticas e sobre o investimento em painéis solares que moradores podem fazer em suas casas. A entrevista você confere abaixo. 

1. Fale sobre a Proxsol. Desde quando ela atua no mercado de fotovoltaica?

André Fetizon: A Proxsol é uma empresa criada no início do ano passado especificamente para a finalidade de vender, instalar e homologar geradores solares fotovoltaicos não tendo nenhum outro tipo de atividade. O objetivo da empresa é fornecer aos nossos clientes uma alternativa barata, moderna e sustentável de geração de energia elétrica.

2. Qual a análise que você faz da matriz energética mundial? Qual o papel da energia renovável neste mercado?

AF: É sabido que a matriz energética mundial precisa ser revista. Não se pode continuar indefinidamente utilizando combustíveis fosseis, ou os perigosos combustíveis nucleares. Todos sabemos dos sérios inconvenientes no uso dessas fontes. Com isso, as fontes de energia que, um dia, foram chamadas de alternativas, hoje se mostram como a solução mais inteligente e racional para a questão. Países como a Alemanha e o Canadá que estão numa posição geográfica muito menos favorável que a nossa, em relação à quantidade e qualidade da radiação solar que recebem, já dispõem de um grande parque fotovoltaico.  A Alemanha comemorou em outubro passado a substituição de 50% da energia elétrica consumida no país por energia limpa de origem fotovoltaica ou eólica. A Austrália tem investido pesadamente nessa matriz energética, assim como muitas outras nações. No Brasil, ainda estamos começando, mas temos um enorme potencial, uma vez que temos índices solarimétricos altíssimos em todo o território. Vale lembrar que, nosso pior índice no extremo sul do país é ainda muito superior ao melhor índice alemão.

3. Como está a procura pela instalação de painéis fotovoltaicos?

AF: O interesse e a procura por esta tecnologia têm crescido exponencialmente no Brasil. Tanto por parte de pessoas físicas, para instalação residencial como por parte do setor comercial, notadamente daqueles que tem um grande consumo energético como supermercados, hotéis, shoppings, restaurantes, grandes lojas, etc. A indústria também tem se interessado e a procura vem aumentando de maneira consistente. Um setor que tem se interessado muito por nossos geradores é o da avicultura, para redução e/ou eliminação dos custos com energia elétrica. A Proxsol estabeleceu recentemente uma Parceria com a Avifran Toledo Avicultura. Empresa especializada no fornecimento de insumos para avicultores e representante Big Dutchman, desde um simples comedor até a instalação completa de granjas no sistema TurnKey onde o sistema gerador já esta incluído no pacote adquirido. Parece ser bastante promissor uma vez que a procura tem sido representativa.

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Divulgação/Proxsol
4. Qual o investimento necessário para a instalação de um módulo fotovoltaico em residência? 

AF: Os custos de instalação são variáveis de acordo com as dimensões do equipamento necessário para suprir as necessidades do cliente, podendo partir de um valor próximo a 10 mil reais para pequenos sistemas residenciais, até valores bastante elevados para grandes consumidores. Um parâmetro simples é o retorno do capital investido. Em instalações maiores pode-se considerar o retorno do investimento em prazos de 2 ou 3 anos, enquanto os pequenos geradores terão seu custo de aquisição e instalação amortizados em torno de 5 ou 6 anos. Lembrando que os Geradores Solares Fotovoltaicos são projetados e construídos de maneira a gerar energia elétrica continuamente por 30 anos.

5. Quais os benefícios para este investimento?

AF: O governo fomenta o mercado através de isenções de impostos e de linhas de crédito subsidiadas, pois sabe que não tem capacidade de geração de energia suficiente para as necessidades do país. Mesmo em médio prazo isso não se viabiliza, uma vez que, se fosse feito um investimento maciço hoje no setor energético no sentido de se aumentar a geração de energia elétrica na medida da demanda da indústria, do comércio e residencial, seus benefícios só seriam sentidos num prazo de 10 ou 15 anos. E o país não tem disponibilidade de recursos para tal fim. As concessionárias distribuidoras de energia também são imensamente beneficiadas uma vez que não precisam adquirir a energia nas hidroelétricas, termoelétricas ou usinas nucleares da Eletrobras, e pagar por sua transmissão e as perdas inerentes dela desde a sua geração até a subestação da distribuidora. Isso traz ao consumidor uma maior tranquilidade na composição do orçamento doméstico, custos de produção ou administrativos de seu negócio, uma vez que o custo da energia elétrica é um fator importante em tal provisionamento.

6. Existem incentivos para fomentar o mercado de energia renovável por parte do governo?

AF: Sim. O governo fomenta as instalações de micro e mini Geração Distribuída de duas maneiras. Dá isenção de impostos como ICMS e IPI na aquisição e instalação de Geradores Solares Fotovoltaicos, uma vez que estes sejam adquiridos em um único pacote, de empresas especializadas e habilitadas para sua instalação e homologação. Disponibilizam linhas de crédito específicas e subsidiadas para pessoas jurídicas na forma de financiamentos do BNDES e FINAME para a grande indústria, PROGER através das agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para o comércio, pequena indústria e atividades rurais, PRONAF, Desenvolvem SP e outras. Existem outras linhas de crédito específicas da iniciativa privada também para esse fim como Santander, BV Financeira, Banco do Nordeste e outras.

7. Quais os maiores desafios para este setor?

AF: O maior desafio é fazer com que as pessoas não confundam energia solar com água quente! (risos) Brincadeiras à parte, creio que o maior desafio é vencer as dificuldades financeiras e fazer com que as pessoas se sintam seguras em investir nesta energia. É necessário também que as pessoas se informem a respeito dos benefícios de gerar sua própria energia elétrica, tanto para si como para o planeta. Fazer com que as pessoas assimilem esse conceito também é um grande desafio. Não temos dúvidas de que isto não é mais uma tendência, mas sim um processo irreversível de substituição da matriz energética em todo o planeta. A Proxsol se orgulha de assumir esse desafio e se propõe a vencê-lo, levando conforto, bem-estar, economia e qualidade de vida ao maior número de pessoas que acreditem em nosso trabalho e na nossa proposta. 

8. Como o senhor observou o ano de 2017 para este mercado?

AF: O ano de 2017 foi um ano de investimentos e divulgação desta forma de geração de energia. Foi o ano de surgimento da Proxsol e da imensa maioria das empresas especializadas nesse setor. Um ano de investimento e estruturação técnica, operacional e científica da empresa. Nós assim como as demais empresas do ramo, investimos em treinamento e especialização de nossas equipes, com capacitação técnica de nossos quadros junto a instituições de educação e pesquisa como a Unicamp e Unesp. Investimos em tecnologia de projeto de instalações fotovoltaicas desde um simples gerador para residências do projeto Minha Casa Minha Vida, até de grandes geradores já designados como Mini Usinas para indústrias de médio porte. Enfim foi um ano muito produtivo para nós.

9. Quais as expectativas para este ano?

AF: Esperamos para o ano corrente a consolidação da nossa empresa com a colheita dos frutos provenientes das incontáveis sementes que plantamos no ano anterior. Estamos certos de que terminaremos 2018 em destaque no setor, como uma das melhores e mais confiáveis empresas do ramo. Esta é a nossa meta e a nossa proposta. E estamos seguros de lograr tal intento.

 

 

Redação
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