AveSui Biocombustível Bioenergia Biomassa América Latina Comentário B&B Economia Empresas Exportação Eventos e Cursos Geral Insumos Meio Ambiente Pesquisa e Desenvolvimento Sustentabilidade Tecnologia Revista Todos os Vídeos TV Gessulli no YouTube Edições Revista Digital Anuncie
Combustível

Etanol caro retém demanda de 6 bilhões de litros

Valor Econômico
13-Jan-2012 08:31 - Atualizado em 20/04/2016 14:42

Em 2011, o motorista brasileiro fez as contas e viu que valia mais a pena, na maior parte dos Estados, abastecer com gasolina do que com etanol (hidratado). A demanda pelo biocombustível caiu 28% e, estima-se que mais de 5 bilhões de litros poderiam ter sido consumidos se a produção no Brasil tivesse sido maior ou se os preços da gasolina não fossem artificialmente estáveis - só compensa abastecer com etanol quando este custa até 70% da gasolina.

Mas a produção de cana-de-açúcar quebrou na safra 2011/12 e, apesar da previsão de algum crescimento no próximo ciclo, a tendência é que o volume de demanda "reprimida" por etanol continue avançando. A frota de carros-flex está 18% maior neste ano do que estava em 2011, mas a produção de etanol não deve avançar no mesmo ritmo, diz o diretor da consultoria FG Agro, Luiz Gustavo Torrano Correa.

A empresa, de Ribeirão Preto (SP), estima que nos doze meses da safra 2012/13, que começa em abril, o país deixará de consumir 6,2 bilhões de litros de etanol porque a produção menor que a demanda vai manter os preços elevados e acima ou muito próximos da paridade de 70% do preço da gasolina. O quadro só muda se houver alguma interferência do governo.

Na safra 2011/12, o Centro-Sul, que representa 90% da produção de cana-de-açúcar do país, produziu 5 bilhões de litros de etanol a menos do que na temporada anterior. Foram 20,5 bilhões de litros, dos quais 12,6 bilhões de hidratado, segundo a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

A entidade não faz previsões para a próxima temporada, mas analistas acreditam que a moagem de cana ficará muito próxima ou de 7% a 8% maior da que foi realizada nesta safra - 492 milhões de toneladas, quebra de 11,37% segundo a Unica. O clima nas regiões de produção, que ameaça trazer geadas no inverno, é que vai determinar o real tamanho da oferta de cana.

No ano que passou, os preços médios do etanol hidratado na usina em São Paulo foram 33% mais altos do que em 2010, segundo o Cepea/Esalq. Por isso, o consumo do biocombustível caiu 28% para 10,8 bilhões de litros, segundo projeção do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom).

Em apenas quatro Estados foi mais vantajoso abastecer com etanol do que com gasolina em 2011, conforme levantamento do Sindicom com base em dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Mesmo em São Paulo, maior Estado produtor e consumidor do país, ficou viável abastecer com etanol em apenas seis dos doze meses do ano.

No ano passado, as usinas sucroalcooleiras do Centro-Sul deram início a um forte programa de investimentos em renovação e expansão de canaviais que, o Itaú BBA estima terem alcançado de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões.

Por causa disso, a consultoria FG Agro prevê que em 2013/14 a oferta de cana-de-açúcar no Centro-Sul pode até alcançar 600 milhões de toneladas, o que seria um recorde. "Esses aportes agrícolas não terão efeito em 2012, mas em 2013", diz o diretor da FG Agro.

Ainda assim, deve persistir a condição de oferta menor que a demanda potencial. A consultoria prevê que a demanda não atendida por etanol em 2013/14 voltará aos níveis de 5,2 bilhões de litros.

Mas em entrevistas a jornalistas em Brasília, ontem, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o preço do etanol poderá se tornar competitivo nos postos de combustíveis em relação à gasolina ainda em 2012 e ameaçou com mais importações para pressionar essa queda nas bombas. "Se não conseguirmos este ano, haverá uma queda substancial no próximo, em 2013", disse o ministro.

O presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, reforça que diante do atual cenário a tendência para 2012 é que os preços do etanol permaneçam firmes.

A boa notícia para as usinas, avalia a FG Agro, é que com a recuperação da produtividade agrícola da cana, fruto dos últimos investimentos, é provável que os custos recuem e tragam mais rentabilidade às empresas. O custo do litro do etanol hidratado, que foi de R$ 1,24 em 2011/12, deve recuar para R$ 1,02 na 2013/14 (valores consideram custo com reinvestimentos (reforma de canavial, tratos culturais e manutenção da indústria).

Utilizamos cookies para que você tenha a melhor experiência de navegação, para medir o tráfego, e para fins de marketing. Para mais informações, por favor visite nossa política de privacidade. Política de Privacidade