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Economia

Estímulos representam 29% do PIB global

Pandemia empurrou governos a uma escalada de gastos fiscais, o que deu suporte às ações de política monetária

Valor Econômico
21-Dez-2020 10:30 - Atualizado em 21/12/2020 11:39

O surgimento da pandemia do novo coronavírus mudou todo o cenário para a economia global em 2020, exigindo uma resposta rápida e vigorosa de bancos centrais e de forma praticamente sincronizada, algo inédito nos tempos modernos, já que não foi uma ação combinada de antemão, como na crise de 2008.

Segundo levantamento do Bank of America (BofA) feito com 97 países, além da União Europeia, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, a injeção total de estímulos chega a cerca de US$ 25 trilhões, sendo US$ 15,23 trilhões vindos da política fiscal e US$ 9,32 trilhões da política monetária. Em proporção do PIB global, esse montante chega a quase 29%, tendo como base os cálculos do FMI (US$ 83,84 trilhões, dado de 2019).

Trata-se de um volume impressionante de recursos, mesmo levando em consideração que esses cálculos podem ser diferentes de instituição a instituição, a depender de como são computados os estímulos advindos de uma gama enorme de ações, programas e ferramentas.

Na lista do BofA dos dez maiores volumes de estímulos em proporção do PIB figuram grandes e pequenas economias, que são, pela ordem, Japão, Itália, Alemanha, Cingapura, Reino Unido, Bulgária, Suécia, Polônia e Romênia. Já na análise das dez maiores economias do mundo (pela paridade do poder de compra), o resultado fica assim: Estados Unidos (28,1% do PIB), China (8,2%), Japão (63,7%), Alemanha (54,2%), Índia (16,7%), Reino Unido (41,6%), França (37,5%), Itália (58%), Brasil (11,2%) e Coreia do Sul (14%). Entre os organismos internacionais, o FMI injetou US$ 200 bilhões e o Banco Mundial, US$ 12 bilhões, para combater a crise do coronavírus.

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Os bancos centrais das economias avançadas reagiram a partir de março com prontidão, implantando toda a gama de ferramentas de crise em semanas. A resposta inicial concentrou-se principalmente em aliviar o estresse financeiro e garantir um fluxo regular de crédito para o setor privado não financeiro.

Foi o caso do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), que derrubou os juros em 150 pontos-base, para o limite inferior zero (“zero lower bound”), e estendeu linhas permanentes de swap com cinco bancos centrais: Banco do Canadá, Banco da Inglaterra (BoE), Banco do Japão (BoJ), Banco Central Europeu (BCE) e o Banco Nacional da Suíça (SNB), e criou linhas com mais nove países, incluindo o Brasil.

Entre os bancos centrais de economias desenvolvidas, além do Fed, apenas o BoE também cortou juros em março, para 0,25% (de 0,75%), sendo que os demais já estavam com as taxas nas mínimas históricas. O estímulo dos bancos centrais veio, portanto, também de outras frentes, como as compras de títulos públicos e privados e no mercado de ETFs (fundos negociados em bolsa).

Segundo o BIS, nas cinco maiores economias avançadas, projeta-se que os balanços destas instituições cresçam em média de 15% a 23% do PIB antes do final de 2020 e permaneçam elevados no futuro próximo. Olhando para toda a massa de bancos centrais, ainda segundo o BIS, os balanços devem subir em 6,3% do PIB em média, em comparação com cerca de 2,5% durante a crise financeira de 2008. No caso do Fed, a carteira de ativos chegou na semana passada a US$ 7,2 trilhões, 70% maior do que o teto atingido na crise do subprime.

Outra característica fundamental da resposta dos bancos centrais foi a ampla implantação de empréstimos de longo prazo e medidas de apoio ao fluxo de crédito às famílias e sociedades não financeiras. O Fed, o BoJ e o BoE estabeleceram programas de empréstimos direcionados projetados para fornecer fundos para bancos em termos favoráveis, condicionados à concessão de crédito a pequenas e médias empresas (PMEs), enquanto o BCE estendeu a elegibilidade de compras de “comercial papers” não financeiros.

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Ademais, tanto nos EUA como no Canadá os BCs passaram a comprar também títulos emitidos por Estados e municípios. Em muitos casos, entretanto, algumas linhas tiveram baixíssima demanda, mesmo no cenário de forte contração econômica.

A crise da pandemia empurrou os governos para uma escalada de gastos fiscais, o que deu suporte às ações de política monetária. Segundo estudo do Citibank, citando o FMI, os multiplicadores do investimento público são muito mais altos quando a incerteza econômica é grande e quando a política monetária é favorável porque ele catalisa o investimento privado. Para cada 1% do PIB em gasto dos governos, há impulso de 2,7% no PIB em dois anos, contra apenas 0,6% em tempos sem crise.

Para a consultoria britânica TS Lombard, embora a resposta fiscal à covid-19 tenha sido enorme, a maior expansão orçamentária desde a Segunda Guerra Mundial, há dúvidas sobre se os países voltarão à austeridade assim que a pandemia acabar. “Em princípio, isso não deveria ser necessário”, já que os programas de suporte ao emprego, à renda e outros programas devem diminuir automaticamente à medida que as economias se recuperam, “levando a uma melhora natural nas finanças públicas”.

José Júlio Senna, do Ibre/FGV, acredita que levará muito tempo até que os déficits contraídos tomem trajetória de queda. Para o economista, houve uma ação que parecia sincronizada de resposta dos países porque a crise atingiu igualmente os agentes econômicos, os segmentos financeiros e as classes de ativos, mas, a partir do advento das vacinas - o verdadeiro “turning point” no cenário -, a recuperação vai depender das características de cada nação, da saúde de seus organismos, da cultura em relação à imunização e ao aspecto fiscal. “A boa notícia é que a crise de 2008 ensinou muito aos BCs e aos Tesouros, além de ter impelido uma maior vigilância sobre os bancos e esta experiência deve fazer toda a diferença na retomada”, afirma Senna.

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