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Debêntures verdes

Empresa de alimentos investe R$ 150 milhões em usina de geração de energia com biomassa

Unidade vai gerar energia térmica a partir da palha do arroz; empresa criou uma nova subsidiária, a Camil Energia Renovável

Redação com informações de Valor Econômico
01-Dez-2021 14:41

Com recursos obtidos com a emissão de debêntures verdes, a Camil, uma das maiores empresas de alimentos do país, vai construir uma nova usina de geração de energia térmica (vapor) e elétrica a partir da palha do arroz (biomassa). A unidade será instalada em Cambaí, no município de Itaqui (RS), a partir de um investimento total previsto em R$ 150 milhões até 2023.

Paralelamente, a companhia está criando uma nova subsidiária, a Camil Energia Renovável, que comercializará o excedente de energia e cuidará de futuros projetos sustentáveis da empresa. “A intenção é termos uma matriz energética totalmente limpa”, disse Renato Accessor, diretor de operações da Camil no Brasil, ao Valor. A casca do arroz tem alto poder calorífico e regularidade térmica, características próprias para a produção termelétrica.

Segundo Accessor, 95% da energia que a Camil usa atualmente é de fontes renováveis, sendo que 43% são produzidos internamente em duas usinas de biomassa — uma em Itaqui e outra em Capão Leão, também no Rio Grande do Sul. O restante é comprado no mercado livre. “Geramos hoje cerca de 40 mil megawatts ao ano e devemos chegar a 130 mil no fim de 2023, com a soma de todas as nossas usinas”, afirmou.

Só em 2020, 92 mil toneladas de cascas de arroz foram destinadas à produção de energia, o que resultou nessa geração de 40 mil megawatts (MW) — 35,8 mil MW destinados ao consumo próprio e 4,1 mil MW negociados no mercado livre. A empresa vem aumentando a geração própria, e entre as safras 2019/20 e 2020/21 o incremento foi de 7%.

A localização da nova usina, que será construída pela Veolia, decorre da proximidade com a maior unidade de secagem da Camil, em Itaqui, e também da possibilidade de mudança dessa planta para o próprio bairro de Cambaí, em análise pelo conselho de administração.

Flávio Vargas, CFO e diretor de relações com investidores da Camil, destacou que a geração própria de 100% da energia demandada resolve também um problema financeiro, pela troca do custo variável no mercado livre pelo custo fixo, com maior previsibilidade. “Temos o capex de início, depois depreciação e custo operacional. Mas são todos mais controláveis que a obtenção de energia no mercado. Entretanto, o resultado financeiro mesmo só será conhecido a partir de 2023”, disse.

Gestão de resíduos

O segundo ponto destacável é ambiental. “Ganhamos energia renovável, que vem da agricultura, e resolvemos o problema de gestão de resíduos da casca de arroz, que hoje vai para aterros”, afirmou Vargas. A cinza gerada na queima da palha das usinas tem volume muito menor, e pode ser usada imediatamente como adubo.

A Camil usa um modelo semelhante de geração de energia no Uruguai, onde é dona da beneficiadora de arroz Saman — que, por sua vez, detém 45% da Galofer, principal usina de geração de energia à base de queima de casca de arroz do país. No último ano, a Galofer consumiu cerca de 114,5 mil toneladas de casca de arroz e produziu 69,4 mil MW, que foram vendidos no mercado.

Vargas também lembrou que o tema ESG é fruto de acompanhamento de investidores, principalmente estrangeiros. A debênture da produtora de arroz, uma operação assessorada pelo BTG Pactual, pagará CDI mais 1,55% ao ano, taxa que caiu em relação à proposta inicial da Camil que era pagar até 1,7% ao ano.

A emissão contou com selo verde da consultoria Sitawi, que atesta que a dívida está de acordo com os Green Bond Principles, normas de autorregulação que balizam essas emissões. A Sitawi deu nota máxima no quesito uso dos recursos e avaliou o projeto como adequado. Mas fez uma ressalva, uma vez que 3% do montante captado será destinado a reembolso de despesas já realizadas.

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