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Sustentabilidade

Em 2021, emissões sustentáveis globais devem bater recorde

O SEB avalia que o mercado de sustentabilidade vai se expandir para abarcar novos tipos de produtos financeiros

Redação com informações de Valor
19-Abr-2021 09:17 - Atualizado em 19/04/2021 09:41

As emissões de dívida que atendem a critérios de sustentabilidade ambiental e social deverão bater recorde e ficar próximas de US$ 1,178 trilhão globalmente neste ano, pelas novas projeções do banco sueco Skandinaviska Enskilda Banken (SEB).

A instituição, que desenvolveu o conceito de “green bond” (título verde) junto com o Banco Mundial em 2007-2008, considera que, após um “tropeço de curto prazo” causado pela pandemia, o momento é melhor do que nunca para produtos financeiros com etiqueta de sustentabilidade.

Segundo Thomas Thygesen, chefe de pesquisa de clima e finança sustentável do SEB, o funding está aumentando porque a transição para descarbonizar as economias ganha mais ritmo do que qualquer pessoa tinha antecipado. A expectativa é a de que 2021 terá aumento significativo de investimentos públicos em infraestrutura de energia. Ele aponta os primeiros sinais “de uma verdadeira disrupção no uso de energia em setores como o automobilístico”.

As novas projeções do banco são agora 25% maiores do que o cenário mais otimista elaborado no começo do ano para esse mercado e levam em conta também o anúncio da União Europeia (EU) de futuras emissões de € 250 bilhões em títulos verdes para financiar o pacote de estímulos pós-pandemia.

Ao Valor, Kristoffer Nielsen, do banco sueco, detalhou as projeções: a expectativa é de emissões de US$ 600 bilhões de “green bonds”, US$ 334 bilhões de “social bonds”, US$ 156 bilhões de “sustainability bonds” e US$ 88 bilhões de “sustentability-linked bonds”. O grosso dessas emissões totais de US$ 1,178 trilhão deve vir depois do verão europeu (julho/agosto).

Com relação à América Latina, Nielsen nota que US$ 5,8 bilhões, quase 60% do total de emissões da América do Sul até agora em todos os tipos de produtos, foram emitidos somente pelo governo do Chile. Os chilenos também emitiram US$ 4,3 bilhões de títulos verdes no ano passado - e tudo isso aconteceu no primeiro trimestre de 2020.

Uma projeção conservadora do SEB para a região, sem o Chile, aponta para um total de US$ 25,8 bilhões de emissões de títulos de dívida sustentável neste ano. Mas Nielsen observa que os títulos vinculados à sustentabilidade têm sido populares no Brasil nos últimos seis meses (total de emissões a US$ 2,8 bilhões), o que poderia proporcionar volume maior.

O SEB, controlado pela família Wallenberg, baseia seu otimismo no melhor trimestre em todos os tempos para os títulos atrelados à sustentabilidade.

Entre janeiro e março, as novas emissões alcançaram US$ 378 bilhões. Equivale a cerca da metade do volume do mercado em todo o ano de 2020 (US$ 756 bilhões) e sinaliza que em 2021 as emissões serão mais fortes. Somente no primeiro trimestre, as emissões de green bonds já somaram o equivalente a 50% de todo o ano de 2020, e as emissões dos títulos sociais e de sustentabilidade foram sete e cinco vezes maiores do que no mesmo período do ano passado respectivamente.

No caso de títulos verdes, um total de US$ 150 bilhões foram emitidos entre janeiro e março. O montante é US$ 85 bilhões superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Os maiores emissores são órgãos públicos (US$ 51,2 bilhões), setor corporativo (US$ 44,2 bilhões) e setor financeiro (US$ 46 bilhões).

Os títulos sociais (“social bonds”) tiveram emissões totais de US$ 94,2 bilhões. Órgão públicos foram os maiores emissores, com US$ 81,5 bilhões.

Por sua vez, as emissões de títulos de sustentabilidade (“sustainability bonds”) alcançaram US$ 39,1 bilhões, já mais do que em todo o ano de 2019 e devendo superar o ano de 2020 (US$ 70,3 bilhões) no segundo trimestre pelo seu atual ritmo.

Quanto a empréstimos atrelados a sustentabilidade (“sustainability-linked loans”), somaram US$ 69,1 bilhões. As duas maiores operações foram da cervejaria Anheuser-Busch, de US$ 10,1 bilhões, e do grupo italiano de energia Enel, com € 10 bilhões. Por sua vez, os empréstimos verdes (“green loans”) alcançaram US$ 13,1 bilhões.

As emissões de títulos vinculados a sustentabilidade (“sustainability-linked bonds”) totalizaram US$ 12,7 bilhões. O montante é maior do que todas as emissões desse segmento em 2020. Para o banco sueco, o conceito parece se estabelecer como grande produto no universo de finanças sustentáveis.

Com esses títulos, as empresas captam para projetos ambientais e definem metas, como reduzir as emissões de carbono. Se não cumprirem os objetivos, são penalizadas e os investidores recompensados com o aumento das taxas de juros. As emissões tem sido feitas até agora apenas por corporações, mas com diversificação de setores, desde companhias de alimentos (a Pilgrim’s Pride e a britânica Tesco), de moda (a sueca Hennez & Mauritz) e telecom (a americana Lumen Technologies).

O SEB avalia que o mercado de sustentabilidade vai se expandir para abarcar novos tipos de produtos financeiros, como igualdade de gênero e água.

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