05-Mai-2016 09:37 - Atualizado em 05/05/2016 11:10
Comentário

Consumo de madeira da Amazônia - por Ricardo Ernesto

Apesar das campanhas de ONGs locais e internacionais e das ações do governo federal, continua o desmatamento da floresta amazônica. Segundo dados monitorados e divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), nos últimos sete anos foram derrubados cerca de 41 mil km² de floresta; uma área equivalente ao território da Suíça.

Questões fundiárias, avanço da cultura da soja e da criação de gado, garimpagem ilegal e a exploração da madeira, são as atividades econômicas que mais contribuem para o corte da vegetação original. No caso da posse da terra e de seu uso, o Cadastro Ambiental Rural (CAR), mesmo com ritmo de implantação lento, deverá indicar aos ministérios e outras agência a destinação que está sendo dada à terra da região. Por outro lado, os diversos acordos firmados entre produtores de soja e de carne e as grandes cadeias de supermercados, também vem contribuindo para reduzir o desmatamento na região. A extração de madeira e o garimpo de ouro, quando executados de forma ilegal, são atividades cujo controle ainda é relativamente difícil, já que a cadeia de comercialização destes produtos ainda é relativamente difícil de rastrear.

A Amazônia Legal é a principal fornecedora de madeira tropical do mundo. Da madeira extraída na região, segundo dados do Sindicato da Habitação (SECOVI), entre 43% e 80% são obtidos de forma ilegal. Ainda segundo a mesma associação, 14% da madeira cortada são destinados à exportação e 86% são direcionados ao mercado interno. Destes, 20% são vendidos no estado de São Paulo. Os usos da madeira de origem florestal são os mais variados. Segundo Hamilton Leite, vice-presidente de sustentabilidade do SECOVI, 42% das madeiras usadas nos telhados das construções – vigas, pontaletes, caibros e ripas – têm origem na Amazônia. Andaimes, formas e escoramento para estruturas de concreto consomem 28%; pisos e esquadrias 11%; móveis de madeira, 15%. 

Para tentar controlar a origem desta madeira, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, emite licença obrigatória para o transporte de produtos e subprodutos florestais, o Documento de Origem Floresta (DOF). No entanto, mesmo dispondo de um DOF, não é possível garantir que a madeira atenda a todos os requisitos legais e aos padrões de sustentabilidade. Compreende-se assim, o quanto é difícil determinar se a madeira oferecida no mercado tem ou não origem legal.

No entanto, a madeira pode dispor de uma certificação de entidade independente, como o Forest Stewardship Council (FSC), o Conselho de Manejo Florestal, ou do Programa Brasileiro de Certificação Florestal (Cerflor). Tais entidades garantem que o processamento da madeira em todas as etapas – da extração ao produto final – foi realizado de modo sustentável, conciliando critérios ecológicos e sociais e tendo origem em manejo florestal adequado.

O consumidor pode desempenhar um grande papel na preservação da floresta amazônica, optando por comprar produtos feitos a partir de madeira certificada. Somente através da pressão econômica, a exemplo do que ocorreu na cadeia de comercialização da soja e da carne, será possível dificultar a exploração ilegal desta madeira; atividade que contribui para o desmatamento da Amazônia. Diferentemente do que se pensa, o grande consumidor da madeira ilegal é o mercado interno.  

(*) Consultor, jornalista e autor, com especialização em gestão ambiental e sociologia. Graduado e pós-graduado em filosofia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias, trabalhando para instituições internacionais. Atualmente é consultor em inteligência de mercado no setor de sustentabilidade. É editor dos blogues "Da natureza e da cultura" (www.danaturezaedacultura.blogspot.com) e "Considerações oportunas" (www.consideracoes-oportunas.com.br). Seu site profissional é: www.ricardorose.com.br

Redação BB

Ricardo Ernesto Rose

Consultor desenvolve atividades de marketing, transferência tecnológica e consultoria comercial na área da sustentabilidade (www.ricardorose.com.br) e editor do blog "Da natureza e da cultura".

 

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