Guia Gessulli
AveSui Biocombustível Bioenergia Biomassa América Latina Comentário B&B Economia Empresas Exportação Eventos e Cursos Geral Insumos Meio Ambiente Pesquisa e Desenvolvimento Sustentabilidade Tecnologia Revista Todos os Vídeos TV Gessulli no YouTube Edições Revista Digital Anuncie
Investimentos

Brasil vê interesse de investidores por energia solar antes do fim de subsídio

Incentivo será atribuído apenas a novos projetos solares e eólicos que obtenham concessão da Aneel até março de 2022

Redação com informações de CNN Brasil
22-Abr-2021 08:32 - Atualizado em 22/04/2021 09:09

O Brasil tem visto o grande interesse de investidores pelo registro de novos projetos de geração renovável, principalmente solares, em meio à previsão de retirada a partir de 2022 de um subsídio concedido a novos empreendimentos de energia limpa.

O movimento envolve empresas como as espanholas Iberdrola e Solatio, as francesas Voltalia e EDF, a italiana Enel e a portuguesa EDP Renováveis, além da Atlas Energia, da britânica Actis, e grupos locais como Pacto e Casa dos Ventos, segundo relatório da consultoria ePowerBay antecipado à Reuters.

A tendência também entrou no radar da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Um diretor do regulador, Sandoval Feitosa, apontou na última semana "preocupação" com o excesso de pedidos de outorgas para novas usinas e disse que avaliará eventuais mudanças no processo de aprovação de projetos.

O maior apetite de investidores vem após o governo ter sancionado em março uma lei decorrente da medida provisória 998/2020, que prevê o fim de um desconto em taxas pelo uso da rede elétrica garantido hoje a projetos de geração renovável.

Esse incentivo, que é custeado com encargos cobrados nas contas de luz, só será concedido a novos projetos solares e eólicos que obtenham outorga da Aneel até março de 2022.

Se antes da publicação da MP 998, em setembro passado, a Aneel registrou em um mês pedidos de outorga para 8,7 gigawatts em novos projetos, em março de 2021 esse volume mais do que dobrou para 18 gigawatts, destacou a ePowerBay em seu relatório.

O montante supera a capacidade de Itaipu (14 GW) e é bem maior que o total do Brasil em grandes usinas solares (3,3 GW).

"Certamente o fim do desconto está acelerando a busca pela outorga de autorização pelas empresas desenvolvedoras, principalmente para os projetos solares", afirmou a consultoria.

A grande movimentação acende um alerta devido a temores de que algumas empresas estejam buscando garantir outorgas apenas para lucrar mais à frente, quando projetos que tenham assegurado o desconto no uso da rede vão se tornar mais raros e valiosos, disse à Reuters o presidente da comercializadora de energia Copel Mercado Livre, Franklin Kelly Miguel.

Um dos motivos para preocupações com a possível especulação em torno de projetos e a corrida por outorgas é a possibilidade de que as regiões com melhores irradiações solares acabem "congestionadas", com as usinas previstas esgotando a capacidade da rede de transmissão, disse o sócio da ePowerBay, Afonso Lugo.

"Do norte de Minas até o leste de Goiás tem muitos projetos, é uma região que está bastante requisitada. E isso é puxado pela solar, porque ali não tem eólicas."

O aquecimento nos pedidos de outorga solar também deve-se às menores exigências --eólicas têm que entregar históricos de medição de ventos de pelo menos três anos, acrescentou Lugo.

Entre as empresas que mais solicitaram outorgas para usinas solares junto à Aneel estão as desenvolvedoras brasileiras Aurora Energias Renováveis (7,2 GW), Pacto (5,3 GW) e Casa dos Ventos (4,4 GW), segundo levantamento da ePowerBay.

Das estrangeiras, destacam-se as francesas Voltalia (4 GW) e EDF (1 GW), as espanholas Iberdrola (2,1 GW) e Solatio (1,2 GW) e a portuguesa EDP Renováveis (1,75GW); além da Atlas (1,2 GW), da Actis, e a italiana Enel Green Power (910 MW).

A ePowerBay listou ainda petroleiras, como a anglo-holandesa Shell, que pediu outorga para 1,5 GW em usinas solares, e a Total Eren, da francesa Total, que já obteve outorga para 48 MW.

Aneel Atenta

O apetite pelas outorgas para renováveis chamou a atenção da Aneel, que avalia os pedidos, disse na última terça-feira (20) o diretor Sandoval Feitosa, em reunião semanal do regulador.

Ele demonstrou preocupação de que certos investidores tenham pedido outorga só para "ocupar um lugar ao sol", prejudicando quem quer "efetivamente implantar seus empreendimentos".

Segundo o diretor, já há queixas de empresários que temem que novos projetos sendo registrados possam interferir negativamente sobre seus empreendimentos em desenvolvimento.

"Temos em torno de mil outorgas vigentes e pouco mais de 200 estão efetivamente em construção", afirmou Feitosa.

Ele ficou de estudar uma proposta para eventual mudança no rito de concessão das outorgas, o que seria submetido à apreciação do restante da diretoria da agência.

Desconto Valioso

O Ministério de Minas e Energia defende que os subsídios às renováveis que serão eliminados a partir de 2022 geram custos de cerca de R$ 4 bilhões por ano para os consumidores de energia em geral, por meio de encargos na conta de luz, em despesas que ainda aumentavam cerca de 500 milhões por ano.

Os beneficiados com o incentivo são empresas que atuam no chamado mercado livre de eletricidade, onde clientes com grande demanda como indústrias podem negociar diretamente contratos de energia com geradores e comercializadoras.

O CEO da Copel Mercado Livre, Franklin Miguel, disse que na prática o incentivo gera redução de custos de 35 e 40 reais por megawatt-hora para o comprador dessa energia.

Isso permite que a produção de eólicas e solares, negociada no mercado livre elétrico a entre 120 e 130 reais por megawatt-hora, seja bastante competitiva frente à energia "convencional" de hidrelétricas, vendida a 90 reais por MWh, exemplificou ele.

Assuntos do Momento

Paraná incentiva uso de energias renováveis em propriedades rurais
06 de Maio de 2021
Mercado

Paraná incentiva uso de energias renováveis em propriedades rurais

As vantagens estão despertando a atenção de produtores do Estado que investem na instalação de usinas fotovoltaicas em suas propriedades

Fontes renováveis de energia serão utilizadas para abastecer o Sistema de Iluminação Pública de SP
05 de Maio de 2021
Renováveis

Fontes renováveis de energia serão utilizadas para abastecer o Sistema de Iluminação Pública de SP

Através de parceria firmada na última semana, estado visa implementar projetos de eficiência energética

No Brasil, 30% da capacidade instalada operacional das fontes renováveis solar e eólica é representada por mercado livre
03 de Maio de 2021
Renováveis

No Brasil, 30% da capacidade instalada operacional das fontes renováveis solar e eólica é representada por mercado livre

O país possui, hoje em dia, aproximadamente 6,5 gigawatts (GW) de empreendimentos eólicos e fotovoltaicos no Ambiente de Contratação Livre, conforme pesquisa da Cela

Com baixos níveis dos reservatórios, menos cana na cogeração pode anular safra de preços
04 de Maio de 2021
Energia

Com baixos níveis dos reservatórios, menos cana na cogeração pode anular safra de preços

Energia elétrica gerada nas usinas e exportada para o sistema elétrico não terá ganho em volume por causa da safra menor

EDF Renewables inicia operação do complexo eólico que suprirá demanda da Braskem
05 de Maio de 2021
Eólica

EDF Renewables inicia operação do complexo eólico que suprirá demanda da Braskem

Empreendimento soma 344 MW de capacidade instalada e investimento total de mais de R$ 1,5 bilhão. Folha Larga Norte fornecerá energia renovável para Braskem por 20 anos, conforme contrato de compra de energia (PPA)

Curitiba está entre as regiões metropolitanas com maior potencial de geração de energia através do seu lixo urbano
06 de Maio de 2021
Energia

Curitiba está entre as regiões metropolitanas com maior potencial de geração de energia através do seu lixo urbano

Levantamento foi realizado no país pela Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos - ABREN

Mais assuntos do momento
Utilizamos cookies para que você tenha a melhor experiência de navegação, para medir o tráfego, e para fins de marketing. Para mais informações, por favor visite nossa política de privacidade. Política de Privacidade