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Projeção

Brasil sustentará 37% do crescimento em eólica na América Latina até 2025, diz representante internacional do setor

Entidade calcula que mundo precisa triplicar energia dos ventos nesta década para alcançar metas climáticas

Redação
24-Mar-2021 16:49

2020 foi um ano recorde para a indústria global de energia eólica, mas um relatório lançado hoje (25/03) adverte que o mundo precisa no mínimo triplicar a capacidade de energia eólica nesta década para atingir as metas de emissão zero liquidas existentes. O relatório anual do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), que representa os produtores de energia do vento, também projeta o Brasil como o carro-chefe do setor na América Latina, puxando ao menos 37% da expansão até 2025.

O GWEC, já havia antecipado dados de seu relatório anual, incluindo o informação de o Brasil mantém com folga a liderança latino-americana. O relatório completo divulgado hoje afirma também que o país é o 7.º no mercado global e que em 2020 perdeu apenas para China e EUA em termos de capacidade instalada - em 2019, o país não chegou a estar na lista dos 10 primeiros.

Em meio aos impactos econômicos da pandemia, a indústria eólica instalou um recorde de 93 GW de nova capacidade em 2020 -- incremento de 53% em relação ao ano anterior, segundo o relatório. A capacidade global total de energia eólica é agora de até 743 GW, ajudando o mundo a evitar a emissão de mais de 1,1 bilhões de toneladas de CO2 por ano, o equivalente às emissões anuais de carbono de toda a América do Sul.

O desempenho notável do setor ainda é insuficiente para frear as mudanças climáticas. As projeções do GWEC indicam que uma capacidade de 469 GW de energia eólica será adicionada nos próximos cinco anos, mas organismos internacionais como a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) e a Agência Internacional de Energia (IEA) calculam que seria necessário um mínimo de 180 GW de nova energia dos ventos instalada todos os anos desta década para limitar o aquecimento global a 2°C. Já para cumprir as metas de emissões líquidas zero até 2050, seria preciso instalar até 280 GW anualmente.

Além de eliminar burocracias e melhorar a infraestrutura geral para viabilizar as novas instalações, o GWEC recomenda que os mercados de energia incorporem os verdadeiros custos sociais e ambientais da poluição gerada pelos combustíveis fósseis. Essa medida, defendem, facilitaria uma rápida transição para um sistema baseado em energia renovável.

"É realmente encorajador ver um crescimento recorde na China e nos EUA no ano passado, mas agora precisamos que o resto do mundo se mobilize para nos levar onde precisamos estar", avalia Ben Backwell, CEO da GWEC. Para ele, embora muitas grandes economias tenham anunciado metas líquidas zero a longo prazo, ainda não há certeza de que ações urgentes e significativas serão tomadas para validar esses níveis de ambição. "A cada ano que passa, a montanha a ser escalada nos anos seguintes fica mais alta", alerta.

"Em cada grande cenário analisado neste relatório, o mercado eólico deve se expandir rapidamente durante a próxima década", avalia o chefe de Inteligência e Estratégia de Mercado da GWEC, Feng Zhao. "Mas a indústria eólica deve ter clareza de que este crescimento não acontecerá espontaneamente, e intervenções políticas urgentes são necessárias em todo o mundo."

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