Guia Gessulli
25-Set-2018 13:52
Comentário

Bons ventos

Por Elbia Gannoum

A energia eólica, que vem registrando um crescimento consistente no Brasil nos últimos oito anos, já está chegando a atender até 13% do Sistema Interligado Nacional – SIN*. O dado está no último Boletim Mensal de Dados do ONS, referente ao mês de julho e que mostra que, no dia 25 de julho, uma quarta-feira, a energia eólica chegou a este percentual de atendimento recorde. 

No caso específico do Nordeste, os recordes de atendimentos de carga já ultrapassam o 70%. O dado mais recente de recorde da região é do dia 13 de setembro, uma quinta-feira, quando  75% da demanda foi atendida pela energia eólica, com geração média diária de 7.716 Mwmed e fator de capacidade de 77%. Vale mencionar que, neste mesmo dia, houve uma máxima às 8h24, com 83% de atendimento da demanda e 87% de fator de capacidade e o Nordeste foi exportador de energia durante todo dia.

O Nordeste brasileiro tem um dos melhores ventos do mundo para a produção de energia eólica, com uma produtividade que é cerca do dobro da média mundial. Além disso, durante o período que o setor de energia eólica chama de “safra dos ventos” e que vai de junho a novembro, a produtividade é ainda maior. Na média, o fator de capacidade mundial está em torno de 25% e, na época da “safra dos ventos”, o fator de capacidade médio mensal pode ultrapassar os 60% no Nordeste ou até mais de 70% como no caso destes recordes.

E como explicar a força da eólica brasileira? Bom, em primeiro lugar pelos nossos bons ventos. Para produzir energia eólica, são necessários bons ventos: estáveis, com a intensidade certa e sem mudanças bruscas de velocidade ou de direção. O Brasil tem a sorte de ter uma quantidade enorme deste tipo de vento, o que explica em grande medida o sucesso da eólica no Brasil nos últimos anos: saímos de menos de 1GW de capacidade instalada em 2010 para mais de 13,4 GW em setembro de 2018. Nossa capacidade instalada de hoje está dividida em mais de 535 parques e mais de 6.600 aerogeradores em operações. Nos primeiros sete meses do ano de 2018, esta estrutura gerou uma quantidade de energia 17,8% que o gerado no mesmo período do ano passado, de acordo com dados consolidados do boletim InfoMercado mensal da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

A energia produzida pelos ventos é renovável; não polui; possui baixíssimo impacto ambiental; contribui para que o Brasil cumpra o Acordo do Clima; não emite CO2 em sua operação; tem um dos melhores custos benefícios na tarifa de energia; permite que os proprietários de terras onde estão os aerogeradores tenham outras atividades na mesma terra; gera renda por meio do pagamento de arrendamentos; promove a fixação do homem no campo com desenvolvimento sustentável; gera empregos que vão desde a fábrica até as regiões mais remotas onde estão os parques e incentivam o turismo ao promover desenvolvimento regional. Além de estarmos nos destacando, ano a ano, no cenário global do mercado de energia eólica, o Brasil também está contribuindo por um futuro sustentável para nosso planeta.

Redação

Elbia Gannoum

Doutora em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina, e bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Uberlândia. Presidente-Executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) desde Setembro de 2011

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