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Energia Limpa

Biogás é rota para descarbonizar transportes

O relatório traz estimativas para biogás, biometano, SAF, hidrogênio e diesel verde, destacando que essas fontes ainda precisam de marcos legais para ganhar competitividade e se estabelecerem como mercado no Brasil

Redação, com informações Cibiogás
24-Fev-2022 09:27

O (PDE) Plano Decenal de Expansão de Energia 2031, divulgado neste mês pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética), coloca o biogás como rota para descarbonizar transportes. Segundo o documento, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) e o Programa Combustível do Futuro devem impulsionar investimentos e alavancar novos combustíveis no país. 

O relatório traz estimativas para biogás, biometano, combustível sustentável de aviação (SAF), hidrogênio e diesel verde, destacando que essas fontes ainda precisam de marcos legais para ganhar competitividade e se estabelecerem como mercado no Brasil.

Em relação ao biogás do setor sucroenergético, o PDE 2031 projeta uma maior inserção na matriz, para geração elétrica e substituição do diesel. 

A estimativa é que o potencial de produção em 2031 alcance 7,1 bilhões de metros cúbicos – a partir da vinhaça e da torta de filtro – e 5,7 bilhões de metros cúbicos, vindos das palhas e pontas da cana-de-açúcar, ambos por meio da biodigestão.

Por que o biogás pode descarbonizar transportes?

O biogás possui poder calorífico entre 4.500 e 6.000 kcal/m³, podendo ser consumido diretamente, ou tratado para separação e aproveitamento do biometano, cujo conteúdo energético é similar ao do gás natural (9.256 kcal/m³).

Essa fonte renovável pode ter aplicações variadas, como geração elétrica, uso veicular e injeção nas malhas de gás natural.

O Plano menciona ainda a oportunidade criada no contexto do novo mercado de gás: “a produção e uso do biogás pode servir para aumentar a oferta de gás natural, bem como para diminuir sua pegada de carbono, evidenciando uma sinergia positiva entre o combustível fóssil e o renovável, no processo de transição energética”.

Como combustível, o biometano pode abastecer qualquer veículo com kit de GNV (gás natural veicular), com a vantagem de ser renovável, ao contrário do GNV.

Ele pode reduzir em até 90% as emissões de poluentes, em comparação com a gasolina, e sua utilização previne o lançamento de metano na atmosfera, contribuindo para diminuir o aquecimento global. Ele também é mais econômico, com eficiência até 30% maior que o etanol, por exemplo.

O processo de produção faz com que o metano seja separado do gás carbônico em uma biorrefinaria, deixando de ir para a atmosfera, e vai ser utilizado na câmara de combustão dos motores dos automóveis, sendo queimado para produção de energia para movimentar o veículo.

Segundo projeção da Associação Brasileira do Biogás e Biometano (ABiogás), o biometano poderia abastecer cerca de 25% da frota brasileira, se conseguissem aproveitá-lo integralmente.

No Brasil, o maior potencial de biogás encontra-se no setor agropecuário (resíduos agrícolas e pecuária confinada), e há também um montante relevante que pode ser obtido por meio dos resíduos sólidos urbanos e do esgoto.

Crescimento do biogás

O PDE 2031 destaca que, apesar do potencial, a presença do biogás na oferta interna de energia é de apenas 0,1%. O número, porém, vem apresentando crescimento acelerado, de 27% ao ano desde 2017. Sua capacidade instalada em geração distribuída em 2020 alcançou 42 MW, segundo dados da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

As projeções da produção de etanol e açúcar apresentadas indicam elevada quantidade de resíduos do setor, que podem ser destinados à produção de biogás. 

O potencial técnico de exportação de energia elétrica a partir do biogás obtido de vinhaça e torta de filtro foi elaborado com base nos dados da Usina Bonfim, vencedora do leilão de energia A-5 de 2016 e que entrou em operação em fevereiro do ano passado. 

As estimativas para este ciclo de estudos apontam para cerca de 2,0 GW médios em 2031. Considerando apenas as usinas pertencentes aos grupos do setor sucroenergético mais eficientes, o potencial técnico alcançaria aproximadamente 1 GW médio ao final do período decenal. 

SAF também é aposta para descarbonizar transportes

O PDE aponta ainda que o SAF deve ser inserido na matriz energética nos próximos anos, em razão das políticas públicas para viabilizar economicamente o bioquerosene de aviação. 

Para 2031, a participação de mercado do SAF é calculada em 1,4% (cerca de 130 mil m³) da demanda total de combustível de aviação. A expectativa é de que as linhas aéreas adotem rotas tecnológicas certificadas.

O estudo considerou a introdução de uma unidade produtora desse biocombustível, consorciada com a produção de HVO (diesel verde), bionafta e GLP, de cerca de 400 mil metros cúbicos por ano, equivalente à média mundial, em uma razão de produção de 35% para o SAF.  O investimento necessário seria de US$ 100 milhões.

Importância do PDE
O PDE 2031 indica as perspectivas da expansão do setor de energia nos próximos dez anos (2022–2031) a partir de uma visão integrada.

O planejamento foi elaborado pela EPE, sob diretrizes e com apoio das secretarias de Planejamento e Desenvolvimento Energético (SPE) e de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (SPG) do Ministério de Minas e Energia (MME).

Os estudos subsidiam decisões de política energética e fornecem ao mercado informações que permitem a análise do desenvolvimento do sistema elétrico e das condições de disponibilidade de suprimentos em diferentes cenários futuros.

Com conclusões como a viabilidade do biogás como rota para descarbonizar transportes, o mercado pode planejar formas de estimular a produção e tornar o Brasil uma potência em biogás.

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