AveSui2021
30-Jan-2014 11:08 - Atualizado em 20/04/2016 14:45
Energia

Ativista critica aposta brasileira em energia nuclear

Durante o Fórum Social Temático, realizado na semana passada em Porto Alegre, o ativista da Coalizão por um Brasil Livre de Usinas Nucleares, Chico Whitaker, lamentou a decisão do governo brasileiro de investir em usinas nucleares, um caminho que está sendo revisto pelas grandes economias desenvolvidas do mundo, como Alemanha e Japão.

Segundo Whitaker, a presidente Dilma Rousseff decidirá neste ano onde será construída a quarta usina nuclear do país, possivelmente nas margens do Rio São Francisco.

"No Brasil existe enorme desinformação sobre isso e o sistema nuclear prima pelo engano e pela mentira, até com boa intenção, para não criar pânico na população", declarou.

Ele lembrou do desastre japonês, na cidade de Fukushima, onde há três anos a situação complexa da usina de Daichii, extremamente danificada pelo terremoto seguido de tsunami, não parece ter fim, com a divulgação de um caso crítico atrás do outro - vazamentos, contaminação de funcionários, população deslocada etc.

"Trata-se de uma autêntica loucura humana...um acidente com uma usina dura milhares de anos [até que a radioatividade volte a níveis aceitáveis]", enfatizou, citando também o caso de Chernobyl, que interditou um território do tamanho equivalente a um quarto da França.

"Até o presidente da autoridade de energia nuclear da França (país que depende desta fonte para suprir mais de 70% da sua demanda) disse que não pode afirmar que não há risco de acidente." (Veja a entrevista)

Whitaker comentou ainda que o lixo nuclear está se acumulando na usina nuclear de Angra e não se sabe o que fazer com ele.

"O mundo inteiro está parando [de construir usinas nucleares], e a Dilma começando a decidir onde fazê-las", destacou.

O ativista lamentou que a vontade do governo, "intensamente associada ao capital privado", se imponha sobre a democracia.

"Precisamos de poder popular, mas por enquanto estamos longe", criticou.

"Como cidadãos podemos discordar de certas decisões, mas é impressionante como o governo é um trator... e a democracia vai andando. E nós tentando protestar e vem o trator e nos esmaga. Quanto dura a nossa capacidade de reagir?", questionou Whitaker.

Fukushima - No Japão, a situação na usina de Fukushima parece seguir a mesma, com o registro constante de vazamentos de água contaminada com radiação para o Oceano Pacífico e para o solo, além dos problemas com a estocagem da água e dos materiais utilizados no processo de descontaminação não apenas da usina, mas das redondezas.

Alguns boatos têm sido criados sobre o vazamento de radiação, que poderia já ter alcançado a costa norte-americana, porém, especialistas em radiação da própria ONG Greenpeace, extremamente crítica da energia nuclear, afirmam que não há este perigo, ao menos não em quantidades maléficas ao ser humano e aos ecossistemas.

Eles afirmam que há sim contaminação de organismos marinhos, mas nas redondezas da usina em Fukushima. Cerca de 100 mil pessoas continuam sem poder retornar aos seus lares.

Instituto CarbonoBrasil
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