Guia Gessulli
AveSui Biocombustível Bioenergia Biomassa América Latina Comentário B&B Economia Empresas Exportação Eventos e Cursos Geral Insumos Meio Ambiente Pesquisa e Desenvolvimento Sustentabilidade Tecnologia Revista Todos os Vídeos TV Gessulli no YouTube Edições Revista Digital Anuncie
Biomassa

A produção de energia renovável pode estar no sofá que você joga fora

Dados da Agência Internacional de Energia mostram que 75% da matriz elétrica no mundo são de fontes não renováveis, isto é, oriundas de derivados de petróleo, carvão, óleo e gás natural – os principais causadores do efeito estufa, que leva ao aquecimento da Terra

Redação com informações de Meio Ambiente Rio
10-Set-2021 12:07


O planeta Terra já deu indícios que está em crise e, para confirmar esse fato, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) publicou um relatório afirmando que o mundo só tem até 2030 para reduzir drasticamente sua dependência de combustíveis fósseis e evitar globalmente o alcance do limiar crucial de 1,5 graus Celsius acima do período pré-níveis industriais, entre 1850 e 1900.

Ondas de calor e frio intensos, enchentes, tempestades e outros acontecimentos climáticos extremos estão ficando cada vez mais comuns no mundo inteiro. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) mostram que 75% da matriz elétrica no mundo são de fontes não renováveis, isto é, oriundas de derivados de petróleo, carvão, óleo e gás natural – os principais causadores do efeito estufa, que leva ao aquecimento da Terra.

Comparado ao restante do mundo, o Brasil está à frente de todos no uso de energias renováveis na produção de energia elétrica. O motivo está no fato de que 80% da energia elétrica gerada aqui é proveniente de usinas hidrelétricas. Porém, seria uma estratégia positiva se mantivéssemos uma normalidade nas chuvas, que não acontece no Brasil desde 2011 devido às constantes secas. Com a crise hídrica que estamos passando e, para não ocorrer um vasto racionamento de energia como aconteceu em 2001, foi preciso ligar as termelétricas à base de óleo e combustíveis, que além de possuírem alto custo de produção, ainda geram mais emissões de gases e elevam o valor da conta de luz para o consumidor.

Percebemos, ainda, um avanço em relação às outras fontes de energias renováveis, como a eólica, que depende de ventos constantes, a solar, sendo necessário poucos períodos de insolação, e a biomassa, praticamente derivada do bagaço da cana que, apesar de apresentar um volume importante, também pode gerar oscilações devido à entressafra.

Uma saída para elevar o nosso índice de biomassa seria a adoção de termoelétricas com o uso de resíduos, como sofás, madeiras de obras e galhos, entre outros sólidos. Trata-se de um material que aumenta seu volume a cada dia, é pouco utilizado para este fim e tem um aproveitamento de 80%. Considerado como passivo ambiental, um resíduo como um sofá de 100 quilos, por exemplo, quando é descartado em um aterro, ocupa o mesmo lugar que poderia ser descartado uma tonelada de resíduos. E, quando não são descartados em aterros, os resíduos de grandes volumes acabam com destinação final em lugares inapropriados, como o meio da rua, lotes baldios, nos rios e nascentes, o que consequentemente contamina o solo, a água, e ainda atrai ratos e insetos, isto é, todo um conjunto prejudicial à saúde humana e a natureza. Além disso, a possibilidade é alta de que esse lixo acabe sendo queimado por terceiros e, o que poderia ser reaproveitado para gerar energia renovável, volta para a atmosfera em forma de gases poluentes.

Por isso, quando destinados a uma termoelétrica de resíduos, esse mesmo lixo é triturado, transformando-se em um combustível permanente, onde até as cinzas originadas deste processo podem ser aproveitadas para misturar no resíduo de construção civil para fazer, entre outras coisas, o tijolo ecológico.

Para se ter uma ideia, o Brasil produz cerca de 150 mil toneladas por dia de resíduos de grandes volumes, que poderiam gerar 6,4 mil megawatts de energia, ou seja, 3,64% da capacidade instalada brasileira. Considerando o dado da Agência Internacional de Energia, na matriz energética brasileira, o petróleo representa 2% e o carvão e derivados 3,3%. Adotando a energia gerada desses resíduos, seria possível zerar a necessidade de produção a partir de um desses combustíveis fósseis.

Mas, para que aconteçam mais investimentos nessa área, é preciso que o setor privado se movimente e seja alavancado através de bancos de desenvolvimento, como BNDES e outros fundos que financiam projetos em termoelétricas. Enquanto uma hidrelétrica leva até seis anos para ficar pronta, uma termoelétrica de resíduos leva seis meses para tirar licença e um pouco mais de um ano a ser construída, ou seja, são investimentos em estrutura de curto prazo. E o Brasil já conta com projeto que pode ser replicado no mundo inteiro.

Qualquer transformação para reduzir o consumo de combustíveis fósseis é algo a ser feito para ontem. As hidrelétricas ainda serão o principal gerador de energia no Brasil, mas o foco em novos projetos, ideias e investimentos, tanto público como privado, deve priorizar as outras fontes de energias renováveis. A preocupação que parecia ser para o futuro se tornou um problema do presente. Há um caminho. Cabe apenas motivação para transformar o Brasil numa referência mundial em energia renovável.

*Felipe Barroso é diretor-presidente da Transforma Energia, primeira empresa brasileira a desenvolver um projeto que atende em 100% o novo marco regulatório de tratamento e destinação final de resíduos.

Assuntos do Momento

Maior produtor do país na área, RN vai estocar energia eólica
24 de Setembro de 2021
Bioenergia

Maior produtor do país na área, RN vai estocar energia eólica

Empresa EV Brasil assinou protocolo com governo do estado para instalar primeiro projeto do tipo no país, nesta terça-feira (21). Investimento inicial é de R$ 12,5 milhões.

Na ONU, Bolsonaro destaca compromisso com transição energética e matriz brasileira
24 de Setembro de 2021
Compromisso

Na ONU, Bolsonaro destaca compromisso com transição energética e matriz brasileira

Presidente citou compromisso com dois pactos, um para reduzir emissões de carbono e outro para financiar o setor de hidrogênio, e disse que país é destaque na implementação de soluções energéticas sustentáveis

Alta do gás pode abalar transição verde na UE
23 de Setembro de 2021
Meio Ambiente

Alta do gás pode abalar transição verde na UE

Há o temor de que a crise energética tenha impacto sobre a crença no investimento em fontes mais limpas

Água da louça para regar plantação: ciência dá alternativas para agricultura sobreviver com seca e crise hídrica
24 de Setembro de 2021
Alternativa

Água da louça para regar plantação: ciência dá alternativas para agricultura sobreviver com seca e crise hídrica

Bioágua é feita a partir da filtragem das chamadas águas cinzas. Combinação entre diferentes fontes é a solução para pesquisadores, que também apostam no uso da água subterrânea.

BRF conquista certificado de Zero Waste para fábrica de perus na Turquia
24 de Setembro de 2021
Certificado

BRF conquista certificado de Zero Waste para fábrica de perus na Turquia

Documento atesta conformidade da Companhia ao Regulamento turco de Resíduos Zero

Alemanha deve acabar com uso de óleo de palma em biocombustíveis a partir de 2023
24 de Setembro de 2021
Biocombustível

Alemanha deve acabar com uso de óleo de palma em biocombustíveis a partir de 2023

Matéria-prima foi classificada pelo bloco como fator que resulta em desmatamento excessivo e não pode mais ser considerada um combustível renovável para transporte.

Mais assuntos do momento
Utilizamos cookies para que você tenha a melhor experiência de navegação, para medir o tráfego, e para fins de marketing. Para mais informações, por favor visite nossa política de privacidade. Política de Privacidade