Guia Gessulli
06/07/2012 08h51 - Atualizado em 20/04/2016 02h43
Biocombustível

Etanol brasileiro pode ajudar Europa a atingir metas sustentáveis

O etanol de cana-de-açúcar, reconhecido como o biocombustível mais avançado do mundo, pode ser um instrumento importante para o cumprimento das metas europeias de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa (GEEs). A mensagem foi reforçada pela assessora sênior da presidência da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) para Assuntos Internacionais, Geraldine Kutas, durante participação em dois eventos nos dias 01 e 02 de julho em Frankfurt, na Alemanha, ambos ligados ao 30º Encontro Econômico Brasil-Alemanha.
A Diretiva Europeia para Promoção de Energias Renováveis (RED) estabelece o ano de 2020 como prazo final para a redução de 20% das emissões de GEEs e o uso de 10% de fontes renováveis no setor de transportes. "Para avançar na RED, é preciso focar os investimentos em energias renováveis nas áreas onde existem alternativas ao petróleo. Os transportes são um exemplo disso. Neste caso, os biocombustiveis são a única saída disponível, e o etanol de cana, fabricado em larga escala, é o que mais pode ajudar a atingir as metas européias, pois reduz em até 90% as emissões de GEEs comparado com a gasolina," afirmou Kutas durante apresentação na Iniciativa Brasil-Alemanha para a Cooperação no Agronegócio e Inovação.

O encontro, que contou com a participação de Kutas graças à parceria entre a UNICA e a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), teve a presença do embaixador do Brasil na Alemanha, Everton Vieira Vargas, do secretario Internacional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Célio Porto, e do presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Luiz Carlos Correa de Carvalho.

Ao defender o etanol como alternativa mais viável para a substituição de combustíveis fósseis para uma plateia de lideranças da indústria e do governo alemães, Kutas enfatizou o potencial e a necessidade da construção de uma aliança estratégica entre Brasil e Alemanha para o desenvolvimento de tecnologias mais limpas, que permitam viabilizar os biocombustíveis de 2ª e 3ª gerações. "Os dois países foram pioneiros na utilização de combustíveis renováveis. Unir a expertise dos brasileiros, pioneiros com o etanol, e o conhecimento dos alemães, primeiros a introduzir o biodiesel na Europa, será algo extremamente produtivo para alcançarmos uma economia de baixo carbono," concluiu a representante da UNICA.

Kutas endossou o discurso também no workshop "Desafios do Setor de Energia - Custo versus Sustentabilidade?", realizado no último dia do 30º Encontro Econômico Brasil-Alemanha. Ela salientou a necessidade de se estabelecer um Memorando de Entendimento entre Brasil e Alemanha no campo das energias renováveis, nos moldes do que foi assinado entre o Brasil e os Estados Unidos em 2007. Na ocasião, os então presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George Bush assinaram o Memorando de Entendimento para Avançar a Cooperação em Biocombustíveis, com o objetivo de impulsionar a fabricação doméstica de etanol e biodiesel, e estendê-la a países da América Central e Caribe.

"O acordo promoveu cooperação cientifica, criou um ambiente para o estabelecimento de joint-ventures entre empresas inovadoras americanas e empresas do setor sucroenergético brasileiro que originaram produtos de última geração, como os bioplásticos e bioquerosene de aviação (bioQAV)," exemplificou Kutas. Ela encerrou com uma provocação: "Se a União Europeia (UE) pretende aumentar a presença das energias renováveis em sua matriz energética nos próximos oito anos, por que ela segue importando petróleo praticamente livre de taxas alfandegárias e impondo tarifas elevadas às importações de etanol brasileiro?"

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